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sábado, março 30, 2013
TONS ACINZENTADOS (09/03/2013)
Lua obscura num céu de acinzentados tons
Nuvens confusas em meio a estridentes sons,
nascidos em temporais nas tardes deprimíveis.
Fúria intensa do mar em ondas gigantescas
Simplórios barcos engolidos por tempestades grotescas
Alvoroço das tristezas em horizontes bem visíveis.
Árvores abandonadas com as raízes deploráveis
Passos inseguros por caminhos inabitáveis
Flores sem as suas pétalas em um jardim morto.
Famílias abandonadas com dilacerantes feridas
Olhos sem nenhum brilho em noites mal dormidas
Sorrisos indiferentes em semblante absorto.
Paredes rabiscadas pelas mãos imaginárias
Temores em minha mente por vozes ordinárias
transitam à vontade nas madrugadas depressivas.
Imerso a um pântano de almas sofredoras
Inconsciente aturdido nas encardidas masmorras
Vôo sem direção sobre as estradas evasivas.
Alvejado por melancolias assassinas e noturnas
Sufocado por mentiras em bocas infortunas
Sangro abruptamente por um imenso corte.
Medo em meus olhos pequenos e aflitos
Dor indiferente aos meus enormes gritos
Ando em escuridões contempladas pela morte.
http://alexmenegueli.blogspot.com.br/
quinta-feira, março 21, 2013
CALVÁRIO (20/03/2013)
As lavas corpulentas e avermelhadas, borbulham sob os meus velhos pés
Sinto ardências quase insuportáveis! Incômodos viscerais, perturbadores, inestimáveis
O sangue sai de repente. Escorre em curso natural. O vermelho nato, deu lugar a quase transparência
O líquido se dispersa pela terra inóspita, por orifícios medonhos, orificios inexploráveis.
As chamas do eterno fogo, queimam a quase tudo! Queimam a quase todos!
As cenas de pesadelo me apavoram! Os gritos das profundezas, agora jorram!
Lamentos angustiados, percorrem todo o vazio obscuro e sufocante...
Almas imersas à aflição, suplicam enlouquecidas. Sem retorno, choram.
Quanto horror em meus olhos absortos! Em tão pouco tempo de estadia!
A estrutura do tempo está congelada. O tempo está inerte à nave do nada!
Apenas me deixo levar sem qualquer reação, por ventos nunca antes sentidos...
Sinto falta do calor sincero dos familiares. Sinto falta daquela pacata, e reconfortante estrada.
Avisto um pouco abaixo dos pequenos ramos, um mar fervoroso em tom rubro
Nele, há pessoas amarguradas por excelência. Nele, há vozes conjuntas pedindo clemência.
A apreênsão se instala em meu rosto. E vou sendo levado por ventos nunca antes sentidos...
Nesse instante, os pingos desoladores de enxofre, caem sorrateiros pela mórbida dependência.
Imerso a náuseas intensas, vou sendo levado por ventos nunca antes sentidos...
Achei por toda uma vida, que o desprezo em meus domínios, exercia seus melancólicos fascínios!
Mas, nesse turbulento e miserável mundo, sou apresentado com todas as honras, às facetas desprezíveis.
Somente vivendo por aqui, é que podemos sentir com demasiada força, o real sofrimento em seus declínios.
Continuo preso a estranhas forças relevantes. Sigo escoltado por ventos nunca antes sentidos...
Deus opressor e inadmissível! Por que não implementa no inferno, sua escrita ilegível?
Nenhum acontecimento extraordinário cruzou o meu caminho. Nada bateu de frente comigo.
Fui pensante por todos os minutos. Fui até feliz. Mas, sempre por um caminho indistinguível!
O suor desce fervendo do corpo esgotado. Pressinto o fim, mas não quero admitir.
A minha matéria se foi há pouco tempo. Vive inerte em um pequeno pedaço de terra, ao relento
Mas, não dorme a eternidade sozinha. Alguns poucos vermes permanecem velando-me.
As lápides monumentais permanecem distantes. Apenas uma triste cruz testemunhou o sepultamento.
Mas, não me importo nenhum pouco. Todos conhecerão a faceta horrenda da morte!
Mesmo estando em um labirinto complexo e infinito, ela abafará o seu agonizante grito.
É o nadar em mares calmos e perfeitos o que importa. A alma necessita dessa calmaria.
Quando em vida os olhos se fecharem, terá que encontrar olhos serenos num rosto irrestrito.
A sorte não habitou os meus aposentos. Por isso, sou levado por ventos nunca antes sentidos...
Sempre tive uma dúvida mortal. Ficava imaginando se o espírito sentia dores, se chorava, coisa e tal...
Como é cruel obter essa certeza doída! Estou chorando copiosamente! Estou com medo...
Sinto dores em toda a minha enérgica estrutura. Acabo de entrar num devastador vendaval.
Avisto diversas expressões tristes e desoladas. Elas dariam dó no mais desalmado carrasco.
Vagam inquietas pelos ventos, estão desesperadas! Imploram pingos de água, as pobres infistuladas.
Estendo as minhas mãos em direção às miseráveis. É difícil tal interação. Completamente impossível.
Vou deixando as sofridas almas para trás. Vou seguindo sem destino, pelos ares das nevoeiradas.
O vendaval abrandou nesse minuto. E com tudo mais nítido, pude observar melhor aos arredores.
Quantas almas postas em fila indiana! Quantos julgos fora de questão por uma mente podre e insana!
Há realmente um enorme tribunal! Como descrito em letras pequenas nas escritas religiosas.
Sou deixado nessa arrepiante e sórdida fila. Tremo feito um filhote de gazela na imensa savana.
Vejo transtornado uma figura enorme! Com suas barbas negras, e um semblante asqueroso
Está bebendo uma taça de vinho, imerso às vaidades. Vai julgando as tristes almas, segundo às suas verdades...
Em risos histéricos, observa atento todo o aglomerado. E lançam todas para um abismo implacável!
Não vejo o paraíso como no livro retratado! Somente transtornos irreversíveis, vorazes calamidades!
Chega a minha vez no julgamento. E os olhos furiosos se lançam ao meu encontro!
Deus me dirige a palavra: - Por que a minha escrita questionastes? Por que não se humilhastes?
Nado contente num mar de pensamentos livres! É reprimível a escravidão da liberdade!
O seu castigo será o vagar pelos abismos! Não me importo! Em meu coração jamais entraras-tes!
Fui lançado sem misericórdia. Mas que ironia não? Foi por um ser intitulado misericordioso...
Há dias, estou perambulando por abismos solitários. Mas, ainda não faço parte desse sistema doutrinário!
Apenas sinto uma devastadora sede. Somente sede. A isenção da água foi o objeto retaliador.
Mas, até sorrio pelos cantos da boca. A minha mente não foi lavada! Ainda sigo forte nesse calvário.
http://alexmenegueli.blogspot.com.br/
segunda-feira, março 18, 2013
IMERSO À NOITE PÁLIDA (17/03/2013)
Imerso à noite pálida,
Conturbada alma, trêmula e inválida...
Chicotes flamejantes descem furiosos
pelos céus negrescos, e as trevas funestas,
aprisionam-me em cárceres nefastos,
situados próximos a uma insólita estrada.
Todos nesse ambiente, partiram estranhamente,
para vilarejos longínquos, lugares que desconheço
Não há rastros. Nesse calor abominável, me aqueço
amargurado, junto ao limo deteriorado,
Na inexistente alvorada!
Imerso à noite pálida,
Conturbada alma, trêmula e inválida...
Olhos demoníacos atrás dos arbustos,
secos e cinzentos, carregados com frutos putrificados.
Fragrância mortífera do inferno palpável,
instalado em minha mente confusa, perdida.
Meu grito angustiado, em um vento injuriado,
perde a intensidade, e extingui-se no triste partir
Ninguém! Nesse instante, ninguém pode ouvir,
Os sons tenebrosos, por seres malfeitosos,
A depressiva face da despedida.
Imerso à noite pálida,
Conturbada alma, trêmula e inválida...
Carnívoras pestes, vindas das obscuras trevas,
devoram os meus pensamentos concisos, e
deixam instalados os martírios em anos sangrentos.
A macabra depressão, se alastra no calabouço de meu inconsciente.
Caminho trocando os passos, e os maus ventos tão carrascos,
Fuzilam sem pena o meu corpo, com dezenas de pedras a rajadas...
Prossigo me arrastando, e me apavoro com as tenebrosas gargalhadas
Já não distingo o que se passa, e nada mais do que eu faça,
Irá me salvar desse castigo tão pertinente!
Imerso à noite pálida,
Conturbada alma, trêmula e inválida...
O chão estremece por minutos que não possuem fim,
E nas fendas que se formam, surge um grandioso
recanto de mortiços, com as suas cruzes negras e sangrentas
O sangue podre infesta o mórbido ar, entrando por minhas narinas.
Abrem-se os túmulos! Ploriferam-se os acúmulos
de sentimentos depressivos, de sentimentos temerosos
A lúgrube madrugada, vai me castigando em teus braços tempestuosos
Não existem caminhos para percorrer! Ajoelho aos prantos, não quero morrer!
Avisto a sombra da impiedosa morte, descendo furiosa as altas colinas.
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quinta-feira, março 07, 2013
RAÍZES DO MAL (06/03/2013)
Desapareçam de minhas velhas e conturbadas entranhas
raízes impregnadas com devastadoras doenças terminais
Lancem à minha frente alguns resquícios da acalentadora luz
Para abrandar a agonia, nessas escuridões angustiantes e infernais,
onde o sangue inocente, é consumido a todo instante com tremenda voracidade
e a alma aflita, perambula nas precárias e mórbidas aldeias.
Afastem esses diabólicos e numerosos vultos, que perambulam pelos becos
e surgem sorrateiros, pelas incontáveis e densas paredes
Queimem esse imenso berçário de loucuras e melancolias
Assassinando as depressões, e suas inesgotáveis sedes
pelas caminhadas contentes perto de um lindo regato,
e pelos desejos reclusos dentro de erosivas veias.
Desapareçam de minhas velhas e conturbadas entranhas
fantasmas amargurados, com vozes perdidas em chuvas silenciosas
Ordenem para que eu renasça dessas esquecidas cinzas escuras
Ressurgindo pelos ares, em gigantescas asas primorosas
Dissolvam os meus tenebrosos e latentes medos do desconhecido
em caldeirões repletos de substâncias altamente corrosivas.
Amarrou-me eternamente, como fizeste com o mitológico Prometeu
Devorando o meu fígado naquela rocha enigmática e distante!
Não quero mais as suas mãos gélidas e pútridas nesses tristes minutos
afagando os meus cabelos, em seu detestável e deformado semblante!
Desenterrem as chaves daquele profundo buraco construído há tempos...
Abram as celas dessa prisão, de lembranças medonhas e depressivas.
Desapareçam de minhas velhas e conturbadas entranhas
demônios sanguinários, que definham a minha esmiuçada essência
Libertem a minha desnorteada alma desse amargurado calabouço
Curem todos os meus devaneios, as minhas depressões e: Clemência!
Não suportarei por mais essa noite, habitar nesse mundo insano e cruel
onde as ilusões deprimidas, sorriem despreocupadas em minha mente.
Juntem todos os meus tormentos, e arremesse-os para a imensidão do vazio
longe dos meus poucos domínios, e próximos aos planetas confusos, errantes
Reclusos em uma escuridão significativa, e sem caminhos para a ansiosa volta
se perderão pelo infinito afora, os gritos pavorosos que se fazem retumbantes
Destruam-me como um simples inseto, que perambula indefeso pelo porão
e refaçam-me mais forte do que centenas de bizões, aniquilando o abismo à minha frente.
Desapareçam de minhas velhas e conturbadas entranhas
sentimentos agourentos, que me enterram vivos em sepulcros imaginários
Libertem-me desse pântano pegajoso, esquecido em terras longínquas e desoladoras
Escureça por segundos a minha vista, para que não me depare com olhos frios e ordinários
me espreitando por todas as noites sombrias e silenciosas, sem rumores de vida,
quando recluso permaneço num canto úmido, frio e imundo.
Forças existentes, em um mundo invisível para quase todos os humanos
libertem o meu desestruturado cérebro, das mãos pálidas do sofrimento
Desenterrem de imediato, dos mais profundos e infinitos grotões
a esperança em carruagem colorida, que se deleita sobre o ombro amigo do calmo vento
Ressussitem-me desse lugarejo horrendo, onde os mortos te ignoram com toda a veemência!
Evoquem os grandes deuses, e criem jardins pelos caminhos desse insuportável mundo.
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sexta-feira, fevereiro 08, 2013
RUAS DA LOUCURA (08/02/2013)
Tremores indecifráveis sacudiam as poucas árvores enfileiradas nas infinitas e familiares ruas da loucura
A ventania endiabrada trazia em seus longos braços, um nevoeiro angustiado repleto de crueldade
De repente apareci nesse recanto insólito e perturbador, tudo em questão de segundos talvez
Corri feito um louco por dentro do matagal baixo e cortante, almejando demasiadamente a liberdade.
Tremores indecifráveis sacudiam as poucas árvores enfileiradas nas infinitas e familiares ruas da loucura
Os corvos com olhos de fogo desciam abruptamente em direção à minha cabeça perdida e confusa
Mas automaticamente sumiam como por encanto ao chegarem aos galhos mais robustos e distantes
Dando lugar à terrível e voraz coruja negra, que invadia a minha abandonada mente como uma infernal intrusa.
Tremores indecifráveis sacudiam as poucas árvores enfileiradas nas infinitas e familiares ruas da loucura
Rostos desfigurados surgiam nos caules com expressões depressivas e infinitamente enlouquecedoras
As suas bocas pálidas e pútridas chamavam incessantemente pelo meu nome em gritos agonizantes
Imploravam para que eu abandonasse a minha família, e seguisse através das incontáveis raízes acolhedoras.
Tremores indecifráveis sacudiam as poucas árvores enfileiradas nas infinitas e familiares ruas da loucura
Chorando lágrimas incontroláveis, eu avistava acerca de mim demônios às gargalhadas, anjos com chifres de ouro
De joelhos no chão de terra avermelhada pelo sangue que jorrava à vontade, não suportei tamanha opressão
Peguei a corda surrada que surgira à minha frente, enforquei- me para escapar dessas visões dilacerantes...
... Abri os olhos em um mundo totalmente cinza, e observei sentado em seu magnífico e imponente trono:
Uma aberração de corpo hercúleo a devorar um jovem rapaz em um instante duradouro.
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sábado, fevereiro 02, 2013
À BORDO DA PEQUENA BARCA (02/02/2013)
Sinto a brisa gélida de Janeiro balançar as cortinas do meu quarto, e se lançar afoita sobre o corpo pálido deitado em uma rígida cama.
A porta que permanece sempre trancafiada, por não receber a visita dos amigos e entes mais próximos há alguns devastadores anos.
Sinto o aroma enjoativo das centenas de flores mortas que circundam o meu modesto e desarrumado casebre de madeira.
O anoitecer repentino que me transporta para as escuridões mais depressivas em imutáveis e horripilantes transtornos.
Sinto o odor quase insuportável do sangue escuro e bastante denso, que deleita contente pelo assoalho do meu esquecido quarto
A ausência das palavras reconfortantes que poderiam ser expelidas por seres íntimos e altamente confiáveis
Sinto o vazio enlouquecedor que devora os meus orgãos lentamente, com a fúria arrebatadora de milhões de ciclones
O fim da longa estrada a metros do meu corpo cansado, o abismo que se sucede à espera dos meus passos instáveis.
Sinto o alvoroço das aves de rapina e as sanguinárias hienas, sedentas pela carne que será lançada aos seus pés enrugados
A tarde silenciosa me perfurando sem misericórdia, com seus gritos inconcientes martelando em meu mundo de loucuras
Sinto uma dor apavorante que destroça o meu coração, transformando-o em migalhas simples e irreconhecíveis
O olhar perdido no reflexo embaçado do diminuto espelho, que reflete a todos os cantos o homem à deriva em suas fracas estruturas.
Sinto a respiração ofegante e quase finda, no transcorrer quase programado dos meus últimos e melancólicos segundos
Os passos levíssimos percorrendo toda a minha sala, e o estender das mãos alvas com alguns dos seus dedos tortos
Sinto a voz suavemente entrando em meus velhos ouvidos, com frases acolhedoras e promessas de um mundo melhor
A face reluzente de um senhor com barbas grossas e brancas, o sorriso cínico e inigualável do temível Deus dos mortos!
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segunda-feira, junho 25, 2012
ROSTOS NA ESCURIDÃO (02/08/03)
Uma da manhã,caminho sem vontade em becos escuros
Lembro de estar em minha cama acinzentada e,
derrepente no mesmo instante,me encontrava naquele tormento
Num chão muito úmido,com as calças rasgadas e descalço.
Aturdido e muito confuso,procurava respostas no vazio
E passei a observar em detalhes tudo ao meu redor
Limos,traças nas paredes,arrogância no ruído
que os ratos faziam,dormência em todo meu corpo.
Caio desesperado em um buraco que meus olhos não viram
Parece não ter fim,dez ou quinze minutos em queda livre
E vejo rostos irreconhecíveis na escuridão que descobre meu medo
Agora ouço vozes e,parece vir daquelas faces.
Seus traços se esculpem,e reconheço dentre muitos alguns
O sorriso de minha mãe,a seriedade de meu pai
Súbito,figuram-se meus irmãos e,todos juntos falam palavras desconexas
Logo me vejo em todas as faces como num espelho,e ao me aproximar de um,acordo assustado...
Alexsandro Menegueli Ferreira
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