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segunda-feira, abril 08, 2013
MANICÔMIO (08/04/2013)
Todos foram extintos do meu convívio social. Não há mais risos nos fins de tarde, nas madrugadas frias
do mês de Junho. Não há sequer, as sensações corriqueiras nos dias monótonos desse diferente ano.
A inexistência da alegria é algo assombroso! A veracidade dos fatos é terrível, absolutamente indescritível.
Caminho desolado pelas esquinas desertas, sobre as calçadas empoeiradas, sob os olhos malditos da competente tristeza. Estou em um mundo aparentemente morto, onde o majestoso silêncio apalpa minuciosamente todos os cantos, com as suas mãos depressivas...
Um nevoeiro voraz e cinzento, começa a tomar conta dos arredores, nesse instante tão mórbido e real. Onde estão todos que seguiam junto a mim? Por que não sinto o aroma suave da natureza? Alguém por favor, me dê uma mísera resposta!
Espero por longos minutos, encostado em uma porta de mercearia, mas, os sons esperançosos não aparecem. Não escuto absolutamente nada, sequer consigo ouvir o barulho do vai e vém das melancólicas ondas. Os meus tímpanos estão inaptos...
Ah! A linda praia permanece ali, com as suas areias amareladas e infinitas. Caminho bem lentamente à beira de dezenas de conchas, que estranhamente, formam um corredor longínquo por onde passo. Vou seguindo com o olhar perdido no horizonte...
Mas, onde está o bendito horizonte? Observo atordoado, que fora engolido por algo sinistro! A linha perfeita que alinhava os grandes e esbeltos navios, não existe mais. Observo atônito, somente uma negridão aterrorizante, que desfalece em segundos o meu perturbado semblante. Corro feito louco por uma estrada que surge de repente à minha frente. Ela estaria quase deserta, não fossem as flores acastanhadas que se movimentam em sincronia. Ouço insultos provenientes de suas ásperas pétalas, e gar-
galhadas enlouquecedoras por longos minutos. Será que estou louco? Não posso depositar a minha crença nesse fato, por isso continuo a correr pelo extenso trajeto abstrato...
A noite apareceu como de costume, trazendo na bagagem a intensidade de seu negrume. Sinto o pavor percorrendo todo o meu desestruturado corpo. Estou só, completamente sozinho e desamparado. Sento em um pequeno banco, situado em uma simplória praça, e choro. Olho para o nada, para o vazio concebido em meu turbulento e imaginário mundo, e choro...
Por horas eu permaneço nesse pedacinho de chão, e encolho-me arredio e desesperançoso. Exausto ao extremo, durmo instantaneamente até o raiar do dia. Desperto com muitas mãos agressivas em torno de mim, com palavras ofensivas que por incrível que pareça, não ferem a minha alma. Introduzem pequenas pílulas pela secura de minha boca, e lancam-me sobre um frio leito. A porta se fecha, e encontro-me só novamente. Levanto da cama, e sigo até a modesta janela. Obsevo na faixada do estabelecimento, em um letreiro grande e azulado: Manicômio Estadual. Cerro os olhos por alguns segundos, por causa do efeito do remédio que acabara de ingerir. Mas, antes de cair em um sono profundo novamente, avisto a persistente negridão sobre a linha do saudoso horizonte.
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terça-feira, fevereiro 19, 2013
O MAR (20/02/2013)
Debruçado na janela da sala, eu observo o nó sendo desatado do precário cais. O barco de madeira descascada e destino incerto, segue o rumo das fraquíssimas correntezas. É tarde. Os irmãos ainda dormem, divididos entre beliche, berço, e uma pouco confortável cama posta ao chão. Nesse instante quase desapercebido, o cantar tradicionalíssimo das madrugadas, invade sem pedir licença todas as humildes casas desse vilarejo. Minha mãe acorda disposta, e em poucos minutos, coloca a água para ferver em um enferrujado bule, e prepara aquele delicioso café. Eu ainda continuo, com os olhos fixos e atentos no grandioso mar.
A pequena embarcação vai seguindo adiante, e com demasiada destreza, vai vencendo as marolas quase imperceptíveis que nascem a todo momento, nos braços fortes e infinitos das gélidas e temperamentais águas. Às vezes, ao chocar-se com uma onda um pouco mais rebelde, tenho o pressentimento que aquele minúsculo objeto móvel, será devastado e devorado por incríveis bocas famintas. E então, sumirá sem deixar rastros pelas obscuras profundezas. Mas, tão logo a grande onda passa, ainda consigo vislumbrar por mais uma vez, o simplório e acanhado barquinho. Vai sumindo pela linha do horizonte como um pequenino ponto obscuro agora.
A manhã já se foi há tempos, e a tarde está quase no fim do seu ciclo. Os ventos começam a mudar repentinamente, e as chuvas fortes desse mês de março, começam a cair. Em questão de minutos, transformam-se em avassaladoras tempestades! Um misto de preocupação excesiva, ansiedade exarcebada, e um terrível medo, começa a tomar conta de quase toda a minha família. Parte das telhas da varanda, despencam em cima de algumas flores no jardim. Ficamos todos juntos no quarto, aparentemente o lugar mais aquecido e seguro da casa. Lágrimas discretas, mas, bem visíveis, escorrem desoladas dos olhos carentes e perdidos de minha mãe. Já são quase nove da noite, e ainda não tivemos nenhum sinal do papai. Meus irmãos já estão em seus confortáveis ninhos, tendo provavelmente, alguns pesadelos. Talvez alguns sonhos. Mas, acho pouco provável. Eu sinto um aperto medonho em meu coração! Faço uma força tremenda para segurar as torrenciais lágrimas, que tentam desesperadas, se libertarem da terrível prisão em meus olhos depressivos.
Observo a minha doce mãe totalmente imóvel, perto da cabeceira de sua antiga cama de casal. Ela olha fixamente para a foto de casamento, que há tempos reside à vontade em cima da cômoda. Paro em frente à porta. A vejo por uns minutos, e prossigo arrasado para a sala. Mais uma vez, estou debruçado nessa pequena janela. Olho para um mar bem diferente daquele que vislumbrei com admiração hoje de madrugada. As ondas estão confusas e bastante raivosas. Parece que querem de todas as maneiras possíveis, pôr para baixo, a fraca estrutura do cais. As águas barrentas e turvas, dilaceram a minha visão, e constroem em minha alma, um sentimento de perda impactante! Nesse exato momento, avisto há muitos metros daqui, uma densa neblina que se forma rapidamente. Meus olhares tornam-se insignificantes e frios. Neles, não habitam mais as revoadas da imensa esperança. Pois eles jamais verão novamente aquele pequeno barco, que ia e vinha despreocupado por cima das marolas e águas calmas, por tantos e tantos anos.
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sábado, novembro 24, 2012
INVASÃO NO JARDIM SEM FLORES (24/11/2012)
Andava confuso às escuras por caminhos desconhecidos e aparentemente sem fim. As noites sombrias extirpavam das profundezas da minha alma todo o bem estar, e injetavam a todo minuto doses fortes de tristezas, loucuras e pensamentos depressivos. Atormentado por vozes persuasivas vindas sempre ao cair da noite, caminhava pelos cantos dos tristes cômodos sem objetivo algum. Queria desabafar toda essa angústia para um simples e atento ouvido, mas a solidão já tinha entrado pela porta da frente de minha casa, e assim estava sozinho e esquecido. Nesse mundo obscuro e repleto de incertezas, despachava todos os meus sentimentos em uma simples folha de papel. Por horas, às vezes por uma noite toda, me recolhia em um canto atrás do armário, e escrevia tudo que se passava com uma intensidade fulminante. Enquanto gastava a tinta azul em um papel cinza claro, juro a vocês que em frações de minutos, via claramente refletido nas paredes sujas da cozinha, sombras em formatos irregulares, que me vigiavam e zombavam de forma enérgica dos textos que escrevia.
Por vezes pensava que estivesse louco, e por mais absurdo que pudesse parecer, a própria loucura sussurrava em meus ouvidos, entre sorrisos falsos e zumbidos. A tristeza era tão bela e formosa, trazendo ao corpo um exuberante vestido negro, com as alças em tom verde musgo. Ela pôs a mão em minha face e então pude notar um rosto amargurado e cheio de cicatrizes. Não poderia mais encara-la. Era algo tão mórbido. Fechei os olhos por no máximo dois segundos, e quando os abri, pude vê-la indo embora em passos precisos e bem lentos, atravessando como por encanto a parede. Continuei a escrever. Não poderia parar enquanto a noite não morria. Em meus ombros, senti os dedos gélidos com seus toques sensíveis. Ao virar-me, me espantei com as feições da gigantesca depressão! Não possuía olhos, somente enormes buracos negros que pareciam me chamar. Engraçado que os seus dentes eram perfeitos e brancos como a neve. Permaneci imóvel por todo o tempo em que esteve presente. E com um leve sorriso cínico me dirigiu a palavra em um breve relato de tom amigável:
- Não tema a mim rapaz. Estou do seu lado e prometo que sempre estarei.
A noite deu o seu último suspiro. Levantei do chão exausto e com bastante sono. Guardei a caneta e as folhas na gaveta do quarto. Fui para a sala e abri a velha porta. Saí em passos cadenciados e avistei colhendo as flores mortas em meu jardim: A tristeza, a loucura e a depressão. Esses antiquíssimos seres já se intitulavam como membros fiéis de minha família. Não tive escolha, e atualmente habitamos todos juntos nesse imenso jardim obscuro.
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sexta-feira, outubro 26, 2012
REGRESSÃO (26/10/2012)
Ao passar por essas antigas esquinas e turbulentas ruas, sinto que as minhas vértebras e toda a minha consciência vão sendo tragadas, usurpadas e consumidas por uma enorme e turbulenta máquina do tempo, e assim vou sendo lançado em um túnel de incertezas coerentes e retrocedendo há quase vinte anos atrás. As castanheiras permanecem estagnadas em seu mesmo recanto, esverdeantes e amparadas pelas serenas brisas de janeiro, lindos ninhos de pardais e raios solares que revigoram as folhas e galhos... Nesse momento revivo todos os meus passos perfeitos e exatos, isentos de culpa, responsabilidades, amarguras, decepções...
Os bons ventos acariciam com serenidade os meus negros e lisos cabelos, arremessando-me a lugares desprovidos de cenas tristes, onde se predomina os milhares de sorrisos transparentes e fáceis, misturados aos contentamentos que brotam em série, em cada centímetro cúbico dessa pracinha. O cemitério continua no mesmo local, entre as duas ruas curtas e pouco movimentadas. E certamente não posso esquecer o quão feliz eu fui nesse pedacinho de chão...
Esse verão de mil novecentos e noventa e quatro está realmente esplendoroso, com poucas nuvens em um céu azul claro, e o Sol imponente a despejar seus abraços quentes por toda a Orla. Reparo que o relógio está marcando três e meia da tarde. É a hora de pegar minha velha bicicleta e descer o íngreme morro a mil por hora, e encarar mais esse dia de trabalho. Eu nem posso dizer encarar, pois me dá tanto prazer em estar ao lado de um grande e inesquecível amigo, e juntos servimos aos mais variados turistas com entusiasmo e bastante alegria. Jamais pensei que pudesse reviver esses acontecimentos singulares mais uma vez!
O imenso e ouvinte banco continua próximo à antiquíssima árvore, e ao sentar depois de quase uma geração, revivo as histórias hilárias do cotidiano, as piadas sensacionais, e também algumas desavenças altamente corriqueiras e sem nenhuma importância. Está começando, posso ouvir perfeitamente as vozes femininas afinadíssimas, os rappers em tempos precisos e intensos, e as batidas envolventes que ditam o rítimo por todo um ano primoroso e mágico.
Minha visão começou a ficar muito embaçada, já não distingo as cores muito bem, os objetos ficaram indefinidos... É; tenho pouquíssimos minutos agora, mas ainda é suficiente para contemplar por mais uma vez o maravilhoso vai e vem das pessoas comprando mercadorias, lembrancinhas... Dos comerciantes indo à luta bravamente... Da algazarra sem igual por toda a feirinha hippy. Uma densa e negra neblina já deu as caras, e derrepente tudo e todos vão sendo reduzidos a quase nada, e a nitidez que vislumbrava vai se diluindo rapidamente e sumindo sem deixar rastros nos incontáveis bueiros de minha vasta memória...
Nesse preciso momento vou entrando em minha máquina do tempo, e em uma velocidade absurda vou retornando à minha conturbada Era. Olho para o meu relógio e constato que essa viagem fantástica durou apenas um minuto. Um ano repleto e intenso, perfeito e intocável, resumido em tão pouco tempo, e guardado com muito zelo nas profundidades do meu inconsciente.
Com a cabeça baixa, caminho nessas terras tediosas do presente, passo em frente à importante Biblioteca, atravesso a rua e com os olhos marejados e fundos, observo quase o mesmo cenário: As belas e carismáticas castanheiras, as barraquinhas juntas como uma grande e unida família, o inesquecível banco e a sua fiel companheira árvore... Mas procuro incansável e desesperado os grandes amigos, e não consigo vê-los sentados e felizes como antes os via. O som tão revolucionário e extremamente marcante foi levado por ventos fortíssimos, e os sorrisos que eram o pano de fundo desse ambiente, mudaram-se contra a vontade para aquele histórico cemitério, e foram enterrados vivos nas cavidades mais profundas. http://alexmenegueli.blogspot.com.br/
segunda-feira, outubro 15, 2012
RUMO AO INFINITO (15/10/12)
Os pássaros contentes com os primeiros raios solares que inauguram o raiar do dia, cantam entusiasmados pelos céus azuis dessa linda primavera. Abaixo contemplo um grande lago límpido que me presenteia com um cardume
de lindos peixinhos que transitam despreocupados pelas encostas. As pequeninas e batalhadoras formiguinhas não cessam sua trabalhosa e gratificante rotina, e como um gigantesco e dicisplinado exército, avançam destemidos e imponentes em direção a sua casa. Estou um pouco cansado e para falar a verdade totalmente sem rumo e sem nenhuma expectativa futura... Levanto vagarosamente, e sigo perdido pelo pasto verde e extenso como uma triste ovelha desgarrada do teu rebanho... Como é exuberante a visão que tenho dos vôos sincronizados daqueles enormes urubus, que vasculham minuciosamente toda a área em busca dos teus alimentos. Os cãezinhos correm afoitos pelo morro, pulam e rolam pela relva um pouco umedecida pelo sereno de ontem, latem felizes da vida e até parecem que sorriem para mim, tamanha a felicidade impregnada em teus corpos... Ah, não seria nada mal se pudesse me transformar em um desses cães felizes, e sair correndo sem preocupações por todo esse cantinho ensolarado e acolhedor.
Já são quase quatro da tarde, e para falar a verdade não estou com pressa de ir embora. Tiro a camisa suada e desço por um atalho espinhento que me leva a um pequeno regato. Pulo desesperançoso e tento atravessá-lo para poder seguir em frente. A água gelada parece me renovar e injetar uma boa dose de ânimo em minha alma, mas isso dura apenas alguns minutos, e caio novamente em uma tristeza que desestabiliza por completo o meu ser. Subo o morro em passos curtos e vou caminhando apático por entre o mato fino que bate incansavelmente em minha canela, causando um pequeno incômodo, mas nada que me faça desistir de seguir em frente...
Nossa! Como é reconfortante estar aqui no cume desse Monte. Uma falsa paz tenta penetrar em meu calejado coração, mas não adianta, pois a tristeza e desânimo a pôem para fora a socos e pontapés... Uma chuva fina começa a cair e vai se misturando às minhas intermináveis lágrimas, que juntas descem velozes pela terra, e vão deixando as marcas inconfundíveis das grotescas dores que agora sinto...
Ouço bem ao longe o canto tradicional de um simples galo, e por Zeus! Está amanhecendo. Caí em um profundo sono e nem percebi.Desço alguns metros até encontrar uma pequena nascente, onde lavo bem o rosto para trilhar o caminho de volta. Sinto um pouco de fome, e por sorte encontro algumas bananas dispersas ao chão.Tomo o rumo de casa sem pressa alguma e nesse novo dia nada mudou! Observo a felicidade estampada nos pequenos insetos, nos animais, no Sol brilhante que aquece o nosso pequeno planeta, nas árvores que dançam felicíssimas embaladas por ventos vindos de todas as partes, na Lua quase transparente que observa atenta tudo aqui embaixo... Percebo que não faço parte desse mundo feliz e me pergunto: Por que estou ainda aqui? Qual o propósito de seguir em frente se tempestades arrasadoras invadem por dias ininterruptos a minha mente, o meu corpo, a minha alma, o meu sangue velho, as minhas entranhas, os meus poros? Não posso e não quero permanecer mais nesse inferno! Não acredito mais nos seres humanos, no governo, na segurança pública... Adeus lindo Planeta azul, você não merecia ser povoado por seres tão insignificantes, que o matam diariamente sem um mínimo de pudor. Adeus! Não quero fazer parte disso! Prefiro fechar os olhos por toda a eternidade, e voltar a ser poeira cósmica, atravessando ferozmente o infinito...
http://alexmenegueli.blogspot.com.br/
de lindos peixinhos que transitam despreocupados pelas encostas. As pequeninas e batalhadoras formiguinhas não cessam sua trabalhosa e gratificante rotina, e como um gigantesco e dicisplinado exército, avançam destemidos e imponentes em direção a sua casa. Estou um pouco cansado e para falar a verdade totalmente sem rumo e sem nenhuma expectativa futura... Levanto vagarosamente, e sigo perdido pelo pasto verde e extenso como uma triste ovelha desgarrada do teu rebanho... Como é exuberante a visão que tenho dos vôos sincronizados daqueles enormes urubus, que vasculham minuciosamente toda a área em busca dos teus alimentos. Os cãezinhos correm afoitos pelo morro, pulam e rolam pela relva um pouco umedecida pelo sereno de ontem, latem felizes da vida e até parecem que sorriem para mim, tamanha a felicidade impregnada em teus corpos... Ah, não seria nada mal se pudesse me transformar em um desses cães felizes, e sair correndo sem preocupações por todo esse cantinho ensolarado e acolhedor.
Já são quase quatro da tarde, e para falar a verdade não estou com pressa de ir embora. Tiro a camisa suada e desço por um atalho espinhento que me leva a um pequeno regato. Pulo desesperançoso e tento atravessá-lo para poder seguir em frente. A água gelada parece me renovar e injetar uma boa dose de ânimo em minha alma, mas isso dura apenas alguns minutos, e caio novamente em uma tristeza que desestabiliza por completo o meu ser. Subo o morro em passos curtos e vou caminhando apático por entre o mato fino que bate incansavelmente em minha canela, causando um pequeno incômodo, mas nada que me faça desistir de seguir em frente...
Nossa! Como é reconfortante estar aqui no cume desse Monte. Uma falsa paz tenta penetrar em meu calejado coração, mas não adianta, pois a tristeza e desânimo a pôem para fora a socos e pontapés... Uma chuva fina começa a cair e vai se misturando às minhas intermináveis lágrimas, que juntas descem velozes pela terra, e vão deixando as marcas inconfundíveis das grotescas dores que agora sinto...
Ouço bem ao longe o canto tradicional de um simples galo, e por Zeus! Está amanhecendo. Caí em um profundo sono e nem percebi.Desço alguns metros até encontrar uma pequena nascente, onde lavo bem o rosto para trilhar o caminho de volta. Sinto um pouco de fome, e por sorte encontro algumas bananas dispersas ao chão.Tomo o rumo de casa sem pressa alguma e nesse novo dia nada mudou! Observo a felicidade estampada nos pequenos insetos, nos animais, no Sol brilhante que aquece o nosso pequeno planeta, nas árvores que dançam felicíssimas embaladas por ventos vindos de todas as partes, na Lua quase transparente que observa atenta tudo aqui embaixo... Percebo que não faço parte desse mundo feliz e me pergunto: Por que estou ainda aqui? Qual o propósito de seguir em frente se tempestades arrasadoras invadem por dias ininterruptos a minha mente, o meu corpo, a minha alma, o meu sangue velho, as minhas entranhas, os meus poros? Não posso e não quero permanecer mais nesse inferno! Não acredito mais nos seres humanos, no governo, na segurança pública... Adeus lindo Planeta azul, você não merecia ser povoado por seres tão insignificantes, que o matam diariamente sem um mínimo de pudor. Adeus! Não quero fazer parte disso! Prefiro fechar os olhos por toda a eternidade, e voltar a ser poeira cósmica, atravessando ferozmente o infinito...
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