segunda-feira, novembro 16, 2015

VENTOS TRISTES 16/11/2015

Ventos tristes pelas janelas empoeiradas... Pensamentos confusos, reclusos, antigos prisioneiros. Relances de tantos filmes reais nesse instante solitário... Lágrimas amigas, olhos hospitaleiros Os anos passam velozes em meu imaginário mas as nuvens que pairam sobre mim são as mesmas dispersas e cinzentas. Ventos tristes pelas janelas empoeiradas... Jardins alheios com suas flores murchas, pétalas pálidas. São visões recorrentes em minha amarga e depressiva vida... Gritos em vão, tardes absolutamente plácidas Indícios concretos de uma suposta partida com traços esboçados a cada sol que vai se pondo naqueles assimétricos montes. Ventos tristes pelas janelas empoeiradas... Calabouço sangrento de batalhas inúteis, ideias inconsistentes. Lutas ferozes cujos inimigos são ilusórios... Rotina própria com pensamentos transcendentes Um mundo peculiar com gestos irrisórios que desencadeia parâmetros incompreensíveis aos olhos vendados dessas tristes peças. Ventos tristes pelas janelas empoeiradas... Furacões e terremotos na cidade abstrata,fria, solitária. Ninguém nesses arredores podem ouvir os meus constantes gritos... Vejo inúmeras portas trancafiadas nesse instante E nessa solidão me deparo com todos os conflitos que teimam em habitar a minha moradia e afundar-me num oceano de loucura.

segunda-feira, abril 27, 2015

À ESPERA 26/03/2015

Sob velhas folhas encontram-se partes esquecidas de alguém que não mais existe. Lágrimas e sorrisos que juntos nasciam da face reluzente de um ser extasiado pelos acontecimentos. E aqueles momentos, me faziam acreditar num recanto puro, sem qualquer tipo de preconceito, desrespeito... O relógio corria tão devagar, e ao caminhar pelas calçadas tranquilo, observava flores por todos os cantos, casais de todos os gêneros sentados ao banco sem qualquer indício dos olhos reprimíveis dos hipócritas! Perdidos entre tristes sombras de pessoas queridas, encontram-se desejos mortos e sepultados! Tudo extinguiu-se com o passar do tempo, e apenas lembranças permanecem aqui. O Sol simplesmente se apagou desse meu adorado mundo. E nessa escuridão dilacerante, onde a imbecilidade cria suas raízes de forma lenta, ando desolado junto a minha amiga Depressão. Deitados bem abaixo dessa linda árvore, encontram-se resquícios da harmonia que dava as caras por todas as tardes. Hoje, apenas os conflitos passeiam pelas minhas ruas, e a insegurança não me permite andar por nenhuma direção. Estagnado, sem uma forte mão para me guiar, vegeto em meu aposento. A cada dia, sinto as minhas expectativas naufragarem nessas águas poluídas que ora ou outra tornam-se um pouco mais límpidas. Tantos cenários cativantes me faziam crer que a vida, de fato, era simples e harmoniosamente feita para sorrirmos sem nenhum tipo de preocupação. Mas conforme o tempo passa, as vendas vão caindo e o mundo perfeito e especial vai sendo desconstruído. E o que vemos: são cenas horríveis de animais irracionais que teimam em pregar o amor com o ódio tão característico da espécie. Por que tudo não pode ser como antes? Aquelas coisas simples me faziam contente e esperançoso em um termo geral: a corrida dos pequenos metais pela pista de areia, o sobe e desce nas castanheiras, o futebol na pequena quadra, a travessia até ao barquinho, os jogos de Atari, o pique- esconde, a guerra de mamona, a corrida pelo calçadão, a gravação das fitas k-7... Sob olhos repulsivos do presente, me rastejo sobre os trilhos enferrujados das ilusões. À espera de que o trem da misericórdia venha e finde tudo, deixando a minha matéria voltar para a sua casa no imenso cosmos, juntamente com as estrelas. Sei que quando os meus olhos se fecharem, todos os tormentos se findarão! Não haverá mais essas tardes ordinárias e tristonhas. Não existirá mais a necessidade de me firmar entre os pontos fixos e estáveis. Não terei que me submeter a esses animais frios, que proferem tantos textos preconceituosos, e ainda pensam que transitam em terrenos santos, cujo amor se estabelece como pano de fundo. Os elos consistentes permanecem significativos e reais nesse meu desesperançoso mundo. E eles são as únicas peças que dão sentido a essa máquina da vida. Não parto, pois sei que não posso e não devo. Não sucumbo à vida de forma pensada, pois tenho o dever de permanecer por aqui, e dar sentido e rumo a seres tão dependentes de mim. Começo a ter consciência do que busco, e não preciso ir muito além das minhas fronteiras. Não necessito escalar tantas montanhas e nem perder tantas noites de sono. O que busco está dentro de mim e ninguém jamais poderá interferir no andamento das coisas. Eu possuo o poder para transformar a minha vida. Somente eu posso fazer com que tempestades invadam o meu ambiente e da mesma forma que se enfraqueçam bem longe daqui. Sou esse mundo que vivo, pois o que tenho em mente faz com que assim se designe as coisas. Sou senhor dos meus atos. Sou homem, animal, poeira, o que queira... mas sempre com o domínio absoluto sobre tudo. Não transito e crio raízes em edificações duvidosas. Sou o meu próprio Templo e vozes e gestos persuasivos jamais entrarão. O convívio pacífico, entre culturas que se diferem, é a demonstração mais plausível do verdadeiro amor. Há espaço para todas as criações. Só não pode haver espaço para conflitos inúteis, intolerância... Acariciados por raios solares desse lindo dia, encontram-se todas as diversidades que transitam intranquilas por ruas inseguras. Há um sepultamento diário da cordialidade e do aceitamento natural das circunstâncias, que se estabelecem a partir de sentimentos puros, tão raros nos dizeres e atitudes alheias. Há tantos julgamentos sem qualquer base, feitos por bocas pútridas! Observo tantos monstros repudiando o que não fere a ninguém, e assim causando feridas profundas em boa parte da sociedade. Constato que essas peças deprimentes vivem em um mundo paralelo ao real, onde as ideias, o pensamento coerente, o discernimento das coisas, definham de forma lenta em pântanos viscosos numa Terra sem volta. Nesse recanto insólito, de pessoas banais, não há espaço para o desenvolvimento, pois se ocupam a todo momento de situações que não lhe dizem respeito. O regresso é o carro-chefe dessas anomalias! Abaixo de um céu azul, enfeitado por nuvens alvas em uma tarde qualquer num futuro distante, vejo todos seguindo por diversas estradas com destino a lugares calmos e acolhedores. Não existem traços imperfeitos nesse cenário que aqui se faz. Observo o respeito imperando em todas as camadas sociais, e a diferença não sendo empecilho para ninguém. Lado a lado caminham as Opiniões diversas, sem que para isso se velem os indivíduos que pensam contrários ao que se estabelece. Creio, que quando os olhos se abrirem por inteiro já será tarde demais. Tantas barbáries são exercidas em nome de uma suposta moral, em nome de um segmento político, ou de supostos deuses. Tantas pontes construídas para alcançar o inalcançável, e bem ao lado, a metros , a possibilidade real e concreta de fazer o bem a quem precisa. Joguem suas preces em poços profundos! Extirpem esses preconceitos inaceitáveis de suas entranhas! Saiam dessas cavernas bichos escrotos! Gritem enraivecidos em prol de algo maior, que fará sentido nessa curta vida! O tempo passa, e muitos não percebem que seus verdadeiros semelhantes habitam histórias importantes: sempre são os alvos do contexto! Os que sucumbem ao pé de um grande herói ou semideus. Porém, esse recanto que almejamos e que tanto melhora a autoestima da vida, não se tornará concreto. Sempre estará figurando entre palavras e pensamentos, num mundo norteado pela utopia.

quinta-feira, fevereiro 19, 2015

TEMPOS DE OURO

Alguns dizem: que o transcorrido é algo inóspito, deleitado em sepulcro, e ao presente sucumbido. Proferem que é extremamente nocivo aos nossos ideais futuros, onde residem inúmeros conflitos, com casos mal resolvidos e metas que não foram cumpridas. Mas como hei de virar as costas para um tempo tão voluptuoso, embutido em verdades tão intensas? Como poderei cerrar os meus olhos para uma Era responsável por moldar toda uma vida? Como poderei extirpar, de minha vasta memória, as estórias vividas dignamente a cada manhã que se erguia? Não posso, e não quero sepultar a essência do meu ser! Aqui estão alguns dos acontecimentos que marcaram intensamente a minha vida. Embora alguns sejam tristes, ainda assim permanecem vívidos e significativos. Vejo-me, aqui novamente, deslizando uma simples caneta de cor preta sobre o branquíssimo papel, e expondo vivências verídicas a todos que porventura vierem a ler tais escritas. Quase toda a hora alguma coisa decorrente do dia a dia me faz deleitar sobre os acontecimentos de outrora. Em um dia desses, ao passar próximo às escunas de passeio que vivem ancoradas sempre em algum cais, não contive a emoção ao lembrar-me de tantas coisas que vivi. Quantas lembranças daquela terra acinzentada debaixo da garagem do tradicionalíssimo restaurante. Ali, eu permanecia por horas e horas vigiando os carros pequenos que chegavam a todo instante. E nessas horas longas o frio e fome me castigava demais, mas eu tinha os meus artifícios para tais situações. Pertinho de onde eu ficava havia uma antiga castanheira no qual eu saciava a fome. Com algumas pedras eu derrubava as castanhas amarelas, que por sinal eram deliciosas. Também se podia comer as secas, e para isso só bastava quebrá-las. Em relação ao frio eu me virava atrás das colunas, que abrandava um pouco os ventos gélidos da noite. Eu morava bem ao lado da garagem, e algumas vezes ia em casa pra descolar alguma coisa pra comer, ou um cafezinho. Mas quase nunca tinha nem uma coisa nem outra. Eu também evitava deixar o estacionamento pra não correr o risco dos donos dos carros não me verem, e respectivamente não me pagarem. Pra acabar um pouco com o tédio, que por sinal era constante, eu trazia de casa um frasco de desodorante cheio de água, e sobre o chão eu desenhava diversas figuras. Também adorava escorregar nos corrimões lisos do restaurante, mas alguns garçons faziam vista grossa e eu terminava a brincadeira. Uma das coisas que mais gostava era quando juntava alguns cozinheiros como Rogério e Daniel, o sobrinho do Osmar Peixadas Luiz Carlos, Nafta ( que também tomava conta dos carros, e morava num quarto no estacionamento), o garçom Aílton e meu irmão Adriano, para brincarmos de bobinho com uma surrada bola de futebol. Hoje eu não consigo imaginar uma criança de nove anos passando por essas mesmas situações, mas eu passei de forma natural e fui muito feliz. Em algumas noites Nafta tomava conta dos meus carros pra eu poder jantar em casa. Geralmente a janta era umas dezoito horas, bem cedo. A mãe preparava o nosso delicioso jantar: arroz, feijão com pedacinhos de cebola, polenta, uma salada com tomate e pepino, farofa, e um apetitoso ensopado de galinha com quiabo. Era um cardápio muito bom a considerar os tempos de vaca magra. Mas como era sábado, papai tinha feito uma pequena compra. O meu pai nessa época trabalhava feito louco para suprir todas as necessidades de nossa família, mas nem sempre conseguia. Não eram poucas as vezes que comíamos somente o trivial. Quando percebia que as condições estavam precárias, que não teríamos muito o que comer no almoço por exemplo, eu tomava a frente da situação indo até aos fundos da casa para pegar a minha vara de pesca. Desenterrava muitas minhocas na horta, e rumava para a beira do mar. Às vezes, eu chamava a minha irmã caçula Katia. O ponto preferido era no cais da escuna Monte Santo, que não tinha muito movimento de pessoas devido a baixa temporada. Em algumas vezes os responsáveis pelo navio trancavam a entrada, e nesse caso a gente ia pescar perto da casa de João 500. Como bom pescador, sempre levava pra casa muitos peixes: corocas, zebrinhas, xixarros, sabonetes (esses eram adocicados demais), e as deliciosas piquiras. Nos feriados e época de verão, os turistas nos cercavam com olhos curiosos e perguntas pertinentes como: que peixe é esse? Esse lago é fundo? É doce ou salgada essa água? Vocês não temem cair nessa água? Os seus pais deixam vocês pescarem sozinhos? Nossos ouvidos eram bombardeados, mas não ligávamos nem um pouco e ríamos das perguntas engraçadas. Em dias quentes, eu pulava nas águas turvas e gélidas desse imponente mar juntamente com alguns amigos como Fabinho e o seu irmão Tetel, Mauro e Rodrigo Baleia. Íamos boiando no embalo da corrente marítima até ao mercado de peixe do Toquinho. Quando chegávamos lá, a gente voltava a mil por hora e repetíamos a travessia. Tínhamos pouco mais de doze anos, e isso de fato: era algo pra deixar os pais de cabelo em pé! Mas não era o que apenas fazíamos. Com a construção da nova ponte, criou-se um enorme arco de ferro sob a mesma, e alguém teve a excelente ideia de pôr um balanço de mão a uns dez metros do início. Como os barcos passavam frequentemente, havia sempre um lá embaixo para avisar. Mas certo dia estávamos todos pulando de cima da ponte: uns de cabeça, outros de pé, uns de granada... Quando um colega nosso pulou pela última vez de sua curta vida. Nos primeiros minutos achamos que ele estava se escondendo por de trás das ferragens, e depois de umas duas horas começamos a pensar que tinha ido pra casa sem falar nada com ninguém. Como ele morava em um bairro um pouco distante e telefone residencial era algo muito difícil de alguém de classe inferior ter, deixamos de lado. No dia seguinte ele foi encontrado à deriva perto do cais onde os barcos abastecem, todo comido pelos peixes. A partir desse dia nunca mais me aventurei por ali. Saudades, quantas saudades dos pique-niques que toda semana acontecia num pedaço pouco espaçoso de um velho edifício. Era com certeza um apogeu para nós crianças. A Josemara, que era uns anos mais velha que a gente, organizava esses inesquecíveis eventos. A compra de todos os itens da nossa festinha particular ficava por conta dela. Lembro-me: dos pacotes de fandangos e cheetos, pipoca Guri, biscoito de maizena piraquê, chocolates chokito e prestígio, paçocas, doces de leite, mariolas... Enchíamos a barriga de tanto comer. Uma das melhores coisas era a reunião de todos na sala brincando de adedanha, bisca, ludo, pega-varetas, e o inesquecível banco imobiliário. Lembro-me nitidamente também que ficávamos todos reunidos na escada em frente de casa e ali, brincávamos de contar os carros que passavam. Todos queriam escolher o fusca e o Fiat 147, que eram os mais populares no fim dos anos oitenta. Alguns fins de semana eram aguardadíssimos por mim e o meu irmão Adriano, e as noites eram curtas devido à necessidade de pular da cama quase de madrugada. O motor da camionete D-20 já se ouvia há algum tempo, e depois de nos despedirmos dos pais, íamos contentes para fora. Alcione e Fernanda já nos aguardavam, e sobre a carroceria seguíamos viagem com destino à Fazenda do Ferrinha no bairro Machina. Lá realmente era um verdadeiro paraíso, pois tinha incontáveis pés de fruta como: goiabeira, amoreira, coqueiro, bananeira, caramboleira... Almoços e cafés da tarde inesquecíveis. Futebol no campinho. Diversão com os cachorros, e a inesquecível macaca que ficava presa a uma corrente na parte lateral da casa. À noitinha, voltávamos extremamente cansados e felizes. São quase duas da tarde, e já me preparo para um prazeroso dia. Pego o par de tênis, e sigo ansioso para o campinho de terra com alguns pedregulhos no morro da delegacia. Lá, estão todos os amigos de infância, e juntos jogamos por horas sob um sol escaldante. O cansaço é visível na face de todos, mas o prazer e diversão que essas poucas horas nos proporcionam, compensa. O sol já se escondeu atrás das esbeltas montanhas, enunciando o término de nossa pelada. Na volta, as conversas voam desenvoltas pelos ares, e cada um segue pra sua casa. Quase todas as noites, me recordo muito bem, esperava o meu pai dormir e com muita destreza pegava a sua Monark azul juntamente com Naftali, um estimado amigo. Saíamos felizes pela noite adentro. Lembro-me que íamos muito na praia do morro, no restaurante Alibabá e os Quarenta Quibes, e ficávamos jogando sinuca e totó até umas três e meia da matina. Na volta, ainda parávamos no Bar Real (um memorável bar) para tomarmos deliciosas vitaminas e saborosos salgados. Quase sempre eu pedia mamão ao leite, juntamente com quibe. O melhor da história é que eu não pagava nada. Nafta era muito mão aberta, e jamais se negou a pagar essas pequenas coisas. Quando o destino não era o da Praia do Morro, fazíamos algo muito legal. Depois que o restaurante fechava, combinávamos de sair a pé, geralmente pelo Centro mesmo, e a cada caçamba de lixo que encontrávamos, tacávamos fogo. Às vezes, a fumaça era tão intensa que corríamos feito loucos pelas ruas, com medo dos moradores chamarem a polícia. Mas tão logo nos afastávamos, repetíamos a ação. Outra coisa que fazíamos era apertar o interfone em vários edifícios. Para ser sincero, eu tinha bastante receio por causa dos porteiros, mas Nafta era arteiro demais! Sei que são atos de puro vandalismo, mas faz parte da minha infância. Certa noite de verão, talvez janeiro de 1990, fomos ao parque que tinha acabado de se instalar no campo do Davino Mattos. Foi uma noite pra se esquecer. Tinha muitos brinquedos legais, mas fomos no que mais gostávamos: o famoso carrinho bate-bate. Estava tudo correndo bem, até entrarmos na pista. Se me recordo, o tempo estimado pra brincar eram de três minutos, mas o funcionário deu apenas uns dois minutos no máximo. No exato momento em que nos direcionávamos para a saída, o Nafta resolveu reclamar. Disse que não concordava com o tempo dado, e queria uma satisfação. Eu, com onze anos apenas, fiquei nesse chumbo cruzado. Enquanto o chumbo era de palavras tudo bem, mas logo os ânimos se exaltaram das duas partes, e o funcionário foi ao encontro de meu amigo. Nafta, uma cara nervoso que não levava desaforos pra casa, tirou suas havaianas e partiu pra cima do cara. Nessa hora, surgiu uns cinco funcionários do nada e voaram nele! Eu, assustado, só pude observar meu amigo correndo feito louco por entre as pessoas como uma frágil gazela na fuga dos leões. Resolvi me mexer, apanhei as suas sandálias e fui-me embora. Lá fora o encontrei, e seguimos o percurso de casa. No caminho ele dizia que era carioca, perigoso, que queria voltar e dar cabo de todos. Ele não se conformava com tamanha humilhação e eu somente ria de tamanha ousadia. Foi uma época muito boa, onde o brilho do sol clareava todos os cantos de minha casa, de minha rua... A pureza com que via o mundo era a força propulsora que me levava aos jardins mais floridos, onde as flores jamais morriam. Ontem de madrugada, ao ouvir o som dos barcos de pesca que cortavam o canal em direção ao alto mar, não contive as lágrimas ao lembrar-me desses mesmos barquinhos que passavam todos os fins de noite em frente de casa. A minha esposa me olhou sem nada entender, e sem proferi nenhuma palavra fechei os meus olhos e tentei adormecer para que algum sonho me conceda alguns minutos naqueles tempos de ouro...

segunda-feira, novembro 17, 2014

LEMBRANÇAS 28/10/2014

Pela estrada vou seguindo paralelo ao ribeirão E nos morros a fragrância inconfundível das plantações Tanta coisa me passa em mente ao caminhar por esses ares A alegria é bem visível por todos esses simples lares. Ouço cigarras que anunciam a chegada da dama negra O coaxar dos anfíbios, e os voos dos pequenos mamíferos Afoitos grilos que se perdem pelo denso mato afora Uma sensação reconfortante nesse momento em meu peito mora. Avisto a linda curva que indica um recanto sereno e estável As lágrimas descem felizes depois de tantos anos ausente A metros da humilde casinha um olhar doce e amável. É o amor único e sincero, um sentimento que nunca mente. Numa bela tarde, entre as nuvens, o jatinho e o seu longo rastro Todos descem correndo em direção às águas calmas Logo adiante, a pouquíssimos metros, um cantinho inesquecível Travessia e reunião dos parentes, contentamento irredutível. Os sorrisos e gargalhadas se misturam aos pingos d`água Todos estão em sintonia num momento extremamente habitual Pique-pega entre as pedras escorregadias e aquecidas E enquanto isso as roupas sujas nas pedras vão sendo batidas. Avisto a linda curva que indica um recanto sereno e estável As lágrimas descem felizes depois de tantos anos ausente A metros da humilde casinha um olhar doce e amável. É o amor único e sincero, um sentimento que nunca mente Nas latas de vinte litros, biscoitos de polvilho e deliciosas mentiras Rosquinhas e bolos caseiros à vontade sobre a velha mesa Os primos comem empolgados e torcem para que a chuva não venha Enquanto o feijão vai sendo cozido no inesquecível fogão à lenha. Na sala, pelo assoalho de madeira, todos à luz de uma lamparina Brincadeiras por muitos minutos, querida infância entre primos e irmãos Mas o silêncio logo desponta trazendo consigo o breu tão marcante As horas passam sem que se perceba, nessa noite de belo semblante. Avisto a linda curva que indica um recanto sereno e estável As lágrimas descem felizes depois de tantos anos ausente A metros da humilde casinha um olhar doce e amável. É o amor único e sincero, um sentimento que nunca mente Avisto uma linda casinha e um olhar doce e amável, Um amor único e sincero e um sentimento que nunca mente...

segunda-feira, novembro 10, 2014

UM MERGULHO NA ESCURIDÃO- 20/10/2014

Estou abandonando a embarcação nesse exato momento. Pode até parecer covardia de minha parte, mas aquela força estranha de outrora surgiu com força colossal, e enfim: conseguiu acabar com o último resquício de esperança que ainda insistia em habitar em mim. Aos olhos alheios, tudo isso que está prestes a se concretizar parecerá loucura, mas não sabem eles o quão doloroso é viver enclausurado em seu próprio mundo. Esse pensamento jamais rondou a minha mente desde àquele ano depressivo, e agora volta disposto a me ceifar a vida. E essa partida, que se desenha com feições reais à minha frente, será altamente dolorosa para os que realmente me amam. E eu, o que espero de tudo isso? Absolutamente nada!

segunda-feira, outubro 20, 2014

LUGARES 19/10/2014

Sigo ainda por caminhos confusos e estreitos, onde cada segundo parece uma eternidade. Pouco à vontade, observo os carros que passam velozes em direção a lugares que jamais presenciei. Onde possivelmente errei? Quero apenas navegar por oceanos tranquilos e seguros, e quem sabe: sorrir despreocupado a cada começo e fim do dia.

quarta-feira, setembro 03, 2014

VELHA CARTA- 28/08/2014

Onde estão os meus objetivos? Onde está a estabilidade que eu deveria ter nesse estágio de vida? Não culpo a falta de oportunidade, pois a tive em muitos momentos. É estranho, mas,à medida que se vai envelhecendo, sentimos a estrutura se abalando- pelo menos para mim- e a confiança tão característica se acanhando. Pessoalmente tenho tudo: esposa e filhos que amo mais do que qualquer coisa! Profissionalmente não sou nada. Será que jamais seguirei o rumo certo e nunca haverei de atracar num porto seguro de mil possibilidades? O que apenas sei é que o jogo está terminando,e quando menos se esperar: serei uma velha carta despejada sobre outras tantas.