Se sou, não quero ser
Se fui, há algo a se fazer
Entre as certezas incertas
Entre as rotas encobertas.
Há luz no cômodo vazio
Há fogo que eu não crio
Vestes velhas na gaveta
Ideia confusa, obsoleta.
Manhã clara como a noite
Chicote livre em seu açoite
Cicatriz só a mim visível
Alvorada florida, inacessível.
Vias complexas, vermelhas
Caos em minhas centelhas
Viagem eterna sem destino
Delírios, ruínas, desatino.
Olhos que não dizem nada
Cruel existência na sacada
Dor incompreensível na alma
Tarde fria, inconstante e calma.
Sem sentido, os pés ao chão
Em repouso, raciocínio vão
O sentir peculiar que inexiste
Tortura que afronta, e persiste.
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quinta-feira, setembro 12, 2019
sexta-feira, setembro 06, 2019
JAZ 27-06-19
Entre as cinzas jaz a estrutura imperfeita
O rompimento da sua suposta indagação
As brisas sangrentas na janela intacta
O suor límpido de um corpo indiferente.
Sob os telhados as palavras inocentes
A escadaria em seus degraus assimétricos
O orvalho escuro naquela tarde silenciosa
As paredes chapiscadas na lateral da casa.
Gélido, quase morto, o sonho intangível
As discordâncias costumeiras da estação
O ser e não ser de uma pobre criatura
O passado e o presente tão similares.
A viagem sem volta a um local impróprio
Abraços evasivos no virar de uma esquina
Ter tudo às mãos e o vazio logo adiante
Ruptura amarga que dilacera o coração.
Não temer a morte e sim a tediosa vida
Brigar por ideais que são somente migalhas
As lágrimas secas por olhos encharcados
Um sorriso amarelo num mundo sem cor.
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