Eles ladram enfurecidos e enxergam
em olhos alheios. Como vermes se
arrastam, e dão as faces ao sol da
verdade. Se enclausuram, numa
redoma infestada de arrogância,
e hasteiam bandeiras duvidosas
ao vento.
As notícias são favoráveis? Os olhos
se vendam, as bocas se fecham, os
ouvidos não captam nenhum som...
E assim vão seguindo com suas vidas
norteadas pela suposta moral, pelos
princípios que julgam ter. Nesse mundo
repleto de dúvidas, vão disseminando
a ignorância disfarçada de amor. E
sempre sobre a onda do que lhes convém!
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sábado, junho 13, 2020
TEMEROSOS BUEIROS 30-03-2020
O tempo escorre em sua exatidão
As águas levam as nossas opiniões
pelos inúmeros e temerosos bueiros
Ah! Se soubessem o quão fortes somos!
Que há imprudência, irresponsabilidade...
O chão demarca os insignificantes passos
E o que haveremos de ter em comum?
A terra inóspita. O vento gélido. O esquecimento.
Bandeiras tremulam em prol do monstruoso ego
A vida definha. O ódio impera. O amor se esvai...
Não culpo a ninguém. Somos irrelevantes...
Hoje, vi pálidas mãos estendidas ao próximo
Vi o breu emanando de ti, na mais crua claridade
As noites, os dias, as tardes... Estamos todos à beira de um gigantesco orifício, e lá dentro apenas o vazio.
As águas levam as nossas opiniões
pelos inúmeros e temerosos bueiros
Ah! Se soubessem o quão fortes somos!
Que há imprudência, irresponsabilidade...
O chão demarca os insignificantes passos
E o que haveremos de ter em comum?
A terra inóspita. O vento gélido. O esquecimento.
Bandeiras tremulam em prol do monstruoso ego
A vida definha. O ódio impera. O amor se esvai...
Não culpo a ninguém. Somos irrelevantes...
Hoje, vi pálidas mãos estendidas ao próximo
Vi o breu emanando de ti, na mais crua claridade
As noites, os dias, as tardes... Estamos todos à beira de um gigantesco orifício, e lá dentro apenas o vazio.
sexta-feira, setembro 06, 2019
O FIM DE UM CICLO 29-06-19
A consciência se finda numa noite eterna,
cujo corpo em suspensão, abraça
o infinito. Não há lamúrias ou qualquer rito.
Somente a passagem da matéria rumo
ao início. Em milésimos de segundos, o
precipício estará distante. E o corredor
pouco nítido, será o percurso que muitos
necessitam para poder seguir adiante.
Não foi de repente essa iniciativa. Não foi
em um simples apagar das luzes. Houve
um turbilhão de sentimentos em suas cruzes,
e essa ocorrência se tornou bem natural.
Nunca reconheci a tão comentada face do
mal. Mas perdi as contas das vezes que
me esbarrei com os ditos seres benévolos.
Fui e não houve lágrimas. E as que caíram,
observaram lenços sujos, rasgados. Não
reconheci nos dizeres, algo real ou
transparente. Apenas fugas repentinas para o
abismo de minha mente. Foi tão difícil o
entendimento sobre todos e sobre tudo. Imergi
com raiva nas águas gélidas do absurdo!
Agora, as notícias circulam de forma curiosa.
E as dissimulações sorriem em textos fabricados
por seres ilusórios. Palavras são palavras... E os
gestos contraditórios. Algo se foi, mas o amor
ainda resiste. Conheço-o em poucos. Contenta-me
de forma sublime. Não é coisa que se ensine. Nasce
sem fronteiras ou imposições. Torna-se completo
em raros casos ao se estruturar em suas frações.
O fim precoce de um ciclo e tudo que virá como
da vez anterior. Poucas mudanças cuja essência
não se fracionará. O breu novamente a receber
seus filhos conturbados. A extinção corriqueira
contracenando com o renascer das cinzas.
Minúsculos nesse instante e com o passar
do tempo, se tornarão grandes fardos. As
respostas estão entre muitos labirintos. As
verdades não passam de poeira dispersa
no mais raivoso ciclone. Jamais serão sólidas
e claras. O entendimento desse colossal
manicômio nunca se tornará concreto.
cujo corpo em suspensão, abraça
o infinito. Não há lamúrias ou qualquer rito.
Somente a passagem da matéria rumo
ao início. Em milésimos de segundos, o
precipício estará distante. E o corredor
pouco nítido, será o percurso que muitos
necessitam para poder seguir adiante.
Não foi de repente essa iniciativa. Não foi
em um simples apagar das luzes. Houve
um turbilhão de sentimentos em suas cruzes,
e essa ocorrência se tornou bem natural.
Nunca reconheci a tão comentada face do
mal. Mas perdi as contas das vezes que
me esbarrei com os ditos seres benévolos.
Fui e não houve lágrimas. E as que caíram,
observaram lenços sujos, rasgados. Não
reconheci nos dizeres, algo real ou
transparente. Apenas fugas repentinas para o
abismo de minha mente. Foi tão difícil o
entendimento sobre todos e sobre tudo. Imergi
com raiva nas águas gélidas do absurdo!
Agora, as notícias circulam de forma curiosa.
E as dissimulações sorriem em textos fabricados
por seres ilusórios. Palavras são palavras... E os
gestos contraditórios. Algo se foi, mas o amor
ainda resiste. Conheço-o em poucos. Contenta-me
de forma sublime. Não é coisa que se ensine. Nasce
sem fronteiras ou imposições. Torna-se completo
em raros casos ao se estruturar em suas frações.
O fim precoce de um ciclo e tudo que virá como
da vez anterior. Poucas mudanças cuja essência
não se fracionará. O breu novamente a receber
seus filhos conturbados. A extinção corriqueira
contracenando com o renascer das cinzas.
Minúsculos nesse instante e com o passar
do tempo, se tornarão grandes fardos. As
respostas estão entre muitos labirintos. As
verdades não passam de poeira dispersa
no mais raivoso ciclone. Jamais serão sólidas
e claras. O entendimento desse colossal
manicômio nunca se tornará concreto.
IMPONÊNCIA E DOR 28-06-19
Sob as mãos firmes de Hipnos, adormeço tranquilo
nos minutos que se seguem. Morfeu me insere num
mundo repleto de fantasias, aventuras... Sou
imponente em muitos percursos e me deparo
mesmo assim com as situações mais complexas.
É tão nítido o que vislumbro em um segundo e
logo adiante um oceano turvo quase me devora.
Saio ileso como de costume, pois voo em velocidade
absurda sobre suas águas. Permaneço assim por
algumas horas. A Lua cheia desponta como uma
deusa próxima a Júpiter. E cá estou, numa calçada
à beira de um antigo edifício.
Algo estranho parece me chamar. Não sei decifrar
os códigos que a cada momento são enviados a
mim. Vejo-os nas paredes do porão, no assoalho
da sala, nos Astros mais luminosos... Eu sei que
não estou aqui na realidade. Eu sei que nada pode
me ferir de forma vital. Mas pressinto que a minha
vivência nessas Terras do desconhecido, pode
servir para algo que realmente valha a pena. Não
me recordo de alguma lágrima que tentou sair dos
meus olhos. Não consegui ainda sentir impotência
perante qualquer situação. Mas há dor. E essa dor
consegue me dilacerar de forma instantânea. Fico
de mãos atadas quando ela vem e tão logo se vai.
Tantos rostos estão presentes por aqui. E a maioria
não se faz visível. Eu converso, ando junto, mas
não consigo visualizar com clareza suas faces. O
que serão? Almas, anjos, demônios... talvez seres
de sistemas longínquos. Não há luz do Sol nesses
muitos anos que se passaram. Me pergunto o
porquê disso. É um recanto escuro, sombrio... A
morte aqui parece não ter chance. E talvez nem a vida.
O que permeia o pensamento é a certeza que nada
pode dar errado. Pelo menos fisicamente. As tantas
experiências comprovam o que escrevo. Em
contrapartida, em meio a essa imponência, há uma
força estranha e misteriosa que faz de tudo para
me deixar à vontade por aqui. Mas esse “à vontade”
é muito relativo. Tenho pressa pra tentar compreender
o que pode estar acontecendo. Há pistas por alguns
dias mas não chego a lugar algum. Existem multidões
por aqui mas a interação é quase nula. Será que
essas pessoas estão presas assim como eu?
nos minutos que se seguem. Morfeu me insere num
mundo repleto de fantasias, aventuras... Sou
imponente em muitos percursos e me deparo
mesmo assim com as situações mais complexas.
É tão nítido o que vislumbro em um segundo e
logo adiante um oceano turvo quase me devora.
Saio ileso como de costume, pois voo em velocidade
absurda sobre suas águas. Permaneço assim por
algumas horas. A Lua cheia desponta como uma
deusa próxima a Júpiter. E cá estou, numa calçada
à beira de um antigo edifício.
Algo estranho parece me chamar. Não sei decifrar
os códigos que a cada momento são enviados a
mim. Vejo-os nas paredes do porão, no assoalho
da sala, nos Astros mais luminosos... Eu sei que
não estou aqui na realidade. Eu sei que nada pode
me ferir de forma vital. Mas pressinto que a minha
vivência nessas Terras do desconhecido, pode
servir para algo que realmente valha a pena. Não
me recordo de alguma lágrima que tentou sair dos
meus olhos. Não consegui ainda sentir impotência
perante qualquer situação. Mas há dor. E essa dor
consegue me dilacerar de forma instantânea. Fico
de mãos atadas quando ela vem e tão logo se vai.
Tantos rostos estão presentes por aqui. E a maioria
não se faz visível. Eu converso, ando junto, mas
não consigo visualizar com clareza suas faces. O
que serão? Almas, anjos, demônios... talvez seres
de sistemas longínquos. Não há luz do Sol nesses
muitos anos que se passaram. Me pergunto o
porquê disso. É um recanto escuro, sombrio... A
morte aqui parece não ter chance. E talvez nem a vida.
O que permeia o pensamento é a certeza que nada
pode dar errado. Pelo menos fisicamente. As tantas
experiências comprovam o que escrevo. Em
contrapartida, em meio a essa imponência, há uma
força estranha e misteriosa que faz de tudo para
me deixar à vontade por aqui. Mas esse “à vontade”
é muito relativo. Tenho pressa pra tentar compreender
o que pode estar acontecendo. Há pistas por alguns
dias mas não chego a lugar algum. Existem multidões
por aqui mas a interação é quase nula. Será que
essas pessoas estão presas assim como eu?
COLAPSO 24-06-19
Há um colapso nesse instante duradouro. Há brigas
constantes entre os milhões de seres que se extinguem
a cada segundo. As respostas são ínfimas perante tais
questionamentos. E a luta comigo parece não ter fim.
Não sei onde estou. Tudo parece tão estranho. Consigo
vislumbrar mundos tão diversos e não faço moradia em
nenhum. As convicções começam querer abandonar a
embarcação. E eu imploro aos seus pés para que
fiquem mais um pouco. As minhas lágrimas já se
tornaram insignificantes. Corriqueiras. Indiferentes.
Eu consigo ainda enxergar a sombra imponente do
objetivo. Vejo seu sorriso e olhar tão doce e acolhedor.
Mas me parece algo intangível. Será que um dia sentarei
ao seu lado, e juntos, colheremos os mais belos frutos?
Busco isso a todo instante, mas me parece que as armas
são insuficientes. As cercas estão crescendo a todo
instante. Eu mesmo faço o serviço já no modo automático,
e sigo nessa linha tênue entre o fracasso e o tédio.
Os vultos nas paredes já não me assustam mais como há
20 anos. Tornaram-se colegas nas frias madrugadas.
Posso até dialogar por minutos ou até mesmo por horas,
com eles. Ainda não consegui decifrar os códigos desse
enigma. Não sei o que pôde ter acontecido ou o que
ainda está acontecendo comigo. A minha força está se
findando e o futuro não me parece nada agradável.
Eu grito, às vezes, alto para aliviar essa dor, esse
desconforto em minha alma. Eu uso a racionalidade a
todo segundo, mas ainda falta algo pra preencher o
vazio absurdo que sinto. Nem esse suposto conforto
religioso o Universo me permitiu. Talvez se fosse menos
pensante, estaria nesse mar de faz de contas...
constantes entre os milhões de seres que se extinguem
a cada segundo. As respostas são ínfimas perante tais
questionamentos. E a luta comigo parece não ter fim.
Não sei onde estou. Tudo parece tão estranho. Consigo
vislumbrar mundos tão diversos e não faço moradia em
nenhum. As convicções começam querer abandonar a
embarcação. E eu imploro aos seus pés para que
fiquem mais um pouco. As minhas lágrimas já se
tornaram insignificantes. Corriqueiras. Indiferentes.
Eu consigo ainda enxergar a sombra imponente do
objetivo. Vejo seu sorriso e olhar tão doce e acolhedor.
Mas me parece algo intangível. Será que um dia sentarei
ao seu lado, e juntos, colheremos os mais belos frutos?
Busco isso a todo instante, mas me parece que as armas
são insuficientes. As cercas estão crescendo a todo
instante. Eu mesmo faço o serviço já no modo automático,
e sigo nessa linha tênue entre o fracasso e o tédio.
Os vultos nas paredes já não me assustam mais como há
20 anos. Tornaram-se colegas nas frias madrugadas.
Posso até dialogar por minutos ou até mesmo por horas,
com eles. Ainda não consegui decifrar os códigos desse
enigma. Não sei o que pôde ter acontecido ou o que
ainda está acontecendo comigo. A minha força está se
findando e o futuro não me parece nada agradável.
Eu grito, às vezes, alto para aliviar essa dor, esse
desconforto em minha alma. Eu uso a racionalidade a
todo segundo, mas ainda falta algo pra preencher o
vazio absurdo que sinto. Nem esse suposto conforto
religioso o Universo me permitiu. Talvez se fosse menos
pensante, estaria nesse mar de faz de contas...
sábado, março 30, 2019
VIVÊNCIAS 23-03-2019
O sino toca como há anos o
ouço. Os barcos de pesca seguem tímidos
pelo mar adentro. Há carícias quase sempre nas vidraças, feitas pelo vento. E os sons fantasmagóricos permanecem vivos em minha memória. Naquele pedaço de chão, com capins por todos os lados, lindas urtigas e raízes de batata-doce se proliferam. A poucos metros, a esbelta e carismática castanheira.
Sobre o fogão vermelho, se encontra o bule que esquenta o café.
Ao ferver, produz um som memorável. Todos estão na sala, nos sofás rasgados e desconfortáveis. Na tevê, o programa da Xuxa nos presenteia com desenhos fantásticos e brincadeiras diversas. Após o almoço, Fabinho passa aqui em casa e vamos juntos à Escola. Na verdade, hoje mataremos aula perambulando por aí. Hora no fliperama, hora no bar real.
pelo mar adentro. Há carícias quase sempre nas vidraças, feitas pelo vento. E os sons fantasmagóricos permanecem vivos em minha memória. Naquele pedaço de chão, com capins por todos os lados, lindas urtigas e raízes de batata-doce se proliferam. A poucos metros, a esbelta e carismática castanheira.
Sobre o fogão vermelho, se encontra o bule que esquenta o café.
Ao ferver, produz um som memorável. Todos estão na sala, nos sofás rasgados e desconfortáveis. Na tevê, o programa da Xuxa nos presenteia com desenhos fantásticos e brincadeiras diversas. Após o almoço, Fabinho passa aqui em casa e vamos juntos à Escola. Na verdade, hoje mataremos aula perambulando por aí. Hora no fliperama, hora no bar real.
A ruazinha mórbida está como sempre. Suas pedras descascadas dão vazão a seis direções. Contígua a ela, se encontra o recanto dos que se foram. Há
flores diversas espalhadas
pelo chão, e folhas secas perto dos muros. Os insetos, característicos do
ambiente, percorrem afoitos pelas frestas e mergulham na terra amarelada. O
aroma aqui sentido me leva a mundos extremos: o da solidão, da perspectiva, da
magia, do contentamento, da jovialidade, da paixão...
Os pneus carecas de minha bicicleta passam a mil por hora e seguem imponentes pelo Caminho da Fonte. Na bagageira, um barulho irritante dos cascos de refrigerantes se chocando entre eles. Atravesso a ponte, como de costume, num piscar de olhos. Há muito fluxo de automóveis por causa da alta temporada. Isso tarda um pouco, na revendedora de bebidas do Arão, a minha chegada. Finalizo o que tinha para ser feito, e tomo o caminho de casa com muito mais cautela, pois agora estou transportando cascos de refrigerantes cheios.
As ferragens amarelas se tornam verdadeiros labirintos, onde nos aventuramos por cada passagem. Agora, o tempo transcorre de forma lenta e nada lá fora causa a mínima preocupação. Não existem responsabilidades. As ruas estão sempre calmas e convidativas. Nesse exato momento, estamos livres das cinzas daquelas ruínas existentes na consciência. Temos asas, e voamos a direções diversas, sempre com a vontade insaciável de alcançar o impossível.
Os pneus carecas de minha bicicleta passam a mil por hora e seguem imponentes pelo Caminho da Fonte. Na bagageira, um barulho irritante dos cascos de refrigerantes se chocando entre eles. Atravesso a ponte, como de costume, num piscar de olhos. Há muito fluxo de automóveis por causa da alta temporada. Isso tarda um pouco, na revendedora de bebidas do Arão, a minha chegada. Finalizo o que tinha para ser feito, e tomo o caminho de casa com muito mais cautela, pois agora estou transportando cascos de refrigerantes cheios.
As ferragens amarelas se tornam verdadeiros labirintos, onde nos aventuramos por cada passagem. Agora, o tempo transcorre de forma lenta e nada lá fora causa a mínima preocupação. Não existem responsabilidades. As ruas estão sempre calmas e convidativas. Nesse exato momento, estamos livres das cinzas daquelas ruínas existentes na consciência. Temos asas, e voamos a direções diversas, sempre com a vontade insaciável de alcançar o impossível.
DESPEDIDA 24-03-2019
encontro entradas para os lugares contentes. O desespero pôs fim à relutância pela vida e o que faço é fugir. Os pingos de água salgada não molham mais a madeira esverdeada daquela casa tão familiar. Naquele pedaço de chão não há mais as pequenas urtigas e nem mesmo os resquícios de um lar. Foi-se o tempo das idas matinais à procura da imagem daquele honesto político. Do contentamento à caça das embalagens de cigarro. Agora nada mais faz sentido nesse voraz mundo. Os seus dentes afiados vão dilacerando as minhas expectativas e do teu imenso ódio eu me inundo.
Outrora, a minha maior preocupação era a areia fina nos olhos. E as pequenas ondas que se formavam tão perto da calçada, me mostravam o quanto a vida valia a pena. Aquelas estradas
poeirentas, circundadas por inúmeros eucaliptos, são apenas lapsos de imagens em minha consciência. Pelo casarão de madeira me sentia confortável, largado no grande sofá. O cheiro do almoço invadia toda a sala enquanto folheava algumas revistas. Já não mais existe, a inquietação nos dias anteriores a tão aguardada saída matinal. Os olhos esperançosos na janela do quarto ou da sala. O tempo se incumbe de todos os bons e maus registros de nossas vidas.
Observo, pela enésima e última vez, a estrutura tão frágil defronte ao descascado portão do Angélica Paixão. Na Dona Teteia, obtive tantas alegrias. Tamanha é a vontade de passar novamente por aquele pedacinho de chão, e vivenciar esse sentimento tão peculiar. A algazarra das crianças no extenso corredor se transformou em sussurros ao vento. Olha ali o campinho de terra e areia, juntamente com muitas folhas que despencam da enorme árvore. Vejo o trio se formando mais uma vez nessa pelada tão empolgante. Eliomar, Cristiano e eu, desfilamos sob um sol moderado por muitas direções. E a surrada bola de futebol agradece aos carinhos.
Nessas águas escuras, vejo os pedalinhos sumirem atrás do manguezal e as flores coloridas enfeitarem o chão de terra batida. O vai e vem frenético das abelhas que passam velozes por cima da tapagem marrom-escuro. Esse é o derradeiro passeio num barco, de médio porte, azul e branco. Feliz, mas um pouco enjoado, avanço sobre as marolas no canal principal.
O odor de peixe ainda se faz presente em toda a sua estrutura. Nos cantos, muitas linhas e anzóis de diversos tamanhos. Alguns ainda permanecem com iscas ressecadas. Sinto, depois de tantos anos, a maresia impregnada nas mãos, nos cabelos, na alma...
Os cantos dos pássaros ecoam em meus ouvidos pela última vez. Vejo as ondas de encontro às rochas nessa manhã derradeira de novembro. De estar por aqui nos dias bons não me recordo. Fugas repentinas para esconderijos abstratos eram o que se reservavam para mim. E nem assim, os meus problemas eram solucionados. Pelas águas abaixo da antiga ponte, observo as verdades que somente eu posso detectar. À vontade,
em ritmo frenético pelo ar, vejo o tempo correr com os olhos cheios de entusiasmo. Os sonhos eram inexistentes, pois tudo era vivido em tempo real. Não havia espaço para o marasmo e lamúrias. Partirei por esses dias sem esperança de retorno. Pela estrada que seguirei não haverá acostamentos, postes de luz ou outras pessoas ao entorno. O fardo
tornou-se insuportável em meus ombros. Não visualizo mais nada às claras embaixo desses escombros, e a vida não faz nenhum sentido agora.
segunda-feira, abril 27, 2015
À ESPERA 26/03/2015
Sob velhas folhas encontram-se partes esquecidas de alguém que não mais existe. Lágrimas e sorrisos que juntos nasciam da face reluzente de um ser extasiado pelos acontecimentos. E aqueles momentos, me faziam acreditar num recanto puro, sem qualquer tipo de preconceito, desrespeito... O relógio corria tão devagar, e ao caminhar pelas calçadas tranquilo, observava flores por todos os cantos, casais de todos os gêneros sentados ao banco sem qualquer indício dos olhos reprimíveis dos hipócritas!
Perdidos entre tristes sombras de pessoas queridas, encontram-se desejos mortos e sepultados! Tudo extinguiu-se com o passar do tempo, e apenas lembranças permanecem aqui. O Sol simplesmente se apagou desse meu adorado mundo. E nessa escuridão dilacerante, onde a imbecilidade cria suas raízes de forma lenta, ando desolado junto a minha amiga Depressão.
Deitados bem abaixo dessa linda árvore, encontram-se resquícios da harmonia que dava as caras por todas as tardes. Hoje, apenas os conflitos passeiam pelas minhas ruas, e a insegurança não me permite andar por nenhuma direção. Estagnado, sem uma forte mão para me guiar, vegeto em meu aposento. A cada dia, sinto as minhas expectativas naufragarem nessas águas poluídas que ora ou outra tornam-se um pouco mais límpidas.
Tantos cenários cativantes me faziam crer que a vida, de fato, era simples e harmoniosamente feita para sorrirmos sem nenhum tipo de preocupação. Mas conforme o tempo passa, as vendas vão caindo e o mundo perfeito e especial vai sendo desconstruído. E o que vemos: são cenas horríveis de animais irracionais que teimam em pregar o amor com o ódio tão característico da espécie. Por que tudo não pode ser como antes? Aquelas coisas simples me faziam contente e esperançoso em um termo geral: a corrida dos pequenos metais pela pista de areia, o sobe e desce nas castanheiras, o futebol na pequena quadra, a travessia até ao barquinho, os jogos de Atari, o pique-esconde, a guerra de mamona, a corrida pelo calçadão, a gravação das fitas k-7...
Sob olhos repulsivos do presente, me rastejo sobre os trilhos enferrujados das ilusões. À espera de que o trem da misericórdia venha e finde tudo, deixando a minha matéria voltar para a sua casa no imenso cosmos, juntamente com as estrelas. Sei que quando os meus olhos se fecharem, todos os tormentos se findarão! Não haverá mais essas tardes ordinárias e tristonhas. Não existirá mais a necessidade de me firmar entre os pontos fixos e estáveis. Não terei que me submeter a esses animais frios, que proferem tantos textos preconceituosos, e ainda pensam que transitam em terrenos santos, cujo amor se estabelece como pano de fundo. Os elos consistentes permanecem significativos e reais nesse meu desesperançoso mundo. E eles são as únicas peças que dão sentido a essa máquina da vida. Não parto, pois sei que não posso e não devo. Não sucumbo à vida de forma pensada, pois tenho o dever de permanecer por aqui, e dar sentido e rumo a seres tão dependentes de mim. Começo a ter consciência do que busco, e não preciso ir muito além das minhas fronteiras. Não necessito escalar tantas montanhas e nem perder tantas noites de sono. O que busco está dentro de mim e ninguém jamais poderá interferir no andamento das coisas. Eu possuo o poder para transformar a minha vida. Somente eu posso fazer com que tempestades invadam o meu ambiente e da mesma forma que se enfraqueçam bem longe daqui. Sou esse mundo que vivo, pois o que tenho em mente faz com que assim se designe as coisas. Sou senhor dos meus atos. Sou homem, animal, poeira, o que queira... mas sempre com o domínio absoluto sobre tudo. Não transito e crio raízes em edificações duvidosas. Sou o meu próprio Templo e vozes e gestos persuasivos jamais entrarão. O convívio pacífico, entre culturas que se diferem, é a demonstração mais plausível do verdadeiro amor. Há espaço para todas as criações. Só não pode haver espaço para conflitos inúteis, intolerância...
Acariciados por raios solares desse lindo dia, encontram-se todas as diversidades que transitam intranquilas por ruas inseguras. Há um sepultamento diário da cordialidade e do aceitamento natural das circunstâncias, que se estabelecem a partir de sentimentos puros, tão raros nos dizeres e atitudes alheias. Há tantos julgamentos sem qualquer base, feitos por bocas pútridas! Observo tantos monstros
repudiando o que não fere a ninguém, e assim causando feridas profundas em boa parte da sociedade. Constato que essas peças deprimentes vivem em um mundo paralelo ao real, onde as ideias, o pensamento coerente, o discernimento das coisas, definham de forma lenta em pântanos viscosos numa Terra sem volta. Nesse recanto insólito, de pessoas banais, não há espaço para o desenvolvimento, pois se ocupam a todo momento de situações que não lhe dizem respeito. O regresso é o carro-chefe dessas anomalias!
repudiando o que não fere a ninguém, e assim causando feridas profundas em boa parte da sociedade. Constato que essas peças deprimentes vivem em um mundo paralelo ao real, onde as ideias, o pensamento coerente, o discernimento das coisas, definham de forma lenta em pântanos viscosos numa Terra sem volta. Nesse recanto insólito, de pessoas banais, não há espaço para o desenvolvimento, pois se ocupam a todo momento de situações que não lhe dizem respeito. O regresso é o carro-chefe dessas anomalias!
Abaixo de um céu azul, enfeitado por nuvens alvas em uma tarde qualquer num futuro distante, vejo todos seguindo por diversas estradas com destino a lugares calmos e acolhedores. Não existem traços imperfeitos nesse cenário que aqui se faz. Observo o respeito imperando em todas as camadas sociais, e a diferença não sendo empecilho para ninguém. Lado a lado caminham as Opiniões diversas, sem que para isso se velem os indivíduos que pensam contrários ao que se estabelece.
Creio, que quando os olhos se abrirem por inteiro já será tarde demais. Tantas barbáries são exercidas em nome de uma suposta moral, em nome de um segmento político, ou de supostos deuses. Tantas pontes construídas para alcançar o inalcançável, e bem ao lado, a metros , a possibilidade real e concreta de fazer o bem a quem precisa. Joguem suas preces em poços profundos! Extirpem esses preconceitos inaceitáveis de suas entranhas! Saiam dessas cavernas bichos escrotos! Gritem enraivecidos em prol de algo maior, que fará sentido nessa curta vida! O tempo passa, e muitos não percebem que seus verdadeiros semelhantes habitam histórias importantes: sempre são os alvos do contexto! Os que sucumbem ao pé de um grande herói ou semideus. Porém, esse recanto que almejamos e que tanto melhora a autoestima da vida, não se tornará concreto. Sempre estará figurando entre palavras e pensamentos, num mundo norteado pela utopia.
Alexsandro Menegueli Ferreira
segunda-feira, novembro 10, 2014
UM MERGULHO NA ESCURIDÃO- 20/10/2014
Estou abandonando a embarcação nesse exato momento. Pode até parecer covardia de minha parte, mas aquela força estranha de outrora surgiu com força colossal, e enfim: conseguiu acabar com o último resquício de esperança que ainda insistia em habitar em mim. Aos olhos alheios, tudo isso que está prestes a se concretizar parecerá loucura, mas não sabem eles o quão doloroso é viver enclausurado em seu próprio mundo. Esse pensamento jamais rondou a minha mente desde àquele ano depressivo, e agora volta disposto a me ceifar a vida. E essa partida, que se desenha com feições reais à minha frente, será altamente dolorosa para os que realmente me amam. E eu, o que espero de tudo isso? Absolutamente nada!
segunda-feira, outubro 20, 2014
LUGARES 19/10/2014
Sigo ainda por caminhos confusos e estreitos, onde cada segundo parece uma eternidade. Pouco à vontade, observo os carros que passam velozes em direção a lugares que jamais presenciei. Onde possivelmente errei? Quero apenas navegar por oceanos tranquilos e seguros, e quem sabe: sorrir despreocupado a cada começo e fim do dia.
quarta-feira, setembro 03, 2014
VELHA CARTA- 28/08/2014
Onde estão os meus objetivos? Onde está a estabilidade que eu deveria ter nesse estágio de vida? Não culpo a falta de oportunidade, pois a tive em muitos momentos. É estranho, mas,à medida que se vai envelhecendo, sentimos a estrutura se abalando- pelo menos para mim- e a confiança tão característica se acanhando. Pessoalmente tenho tudo: esposa e filhos que amo mais do que qualquer coisa! Profissionalmente não sou nada. Será que jamais seguirei o rumo certo e nunca haverei de atracar num porto seguro de mil possibilidades? O que apenas sei é que o jogo está terminando,e quando menos se esperar: serei uma velha carta despejada sobre outras tantas.
quinta-feira, julho 24, 2014
ENIGMA 11/05/2014
Tão distantes se desenhavam por todo esse longo percurso e, decerto, agora posso sentir e vislumbrar a sua chegada. Flores, folhas, borboletas: há algo diferente nesse cenário de vida, e a minha partida será ao menos um pouco mais serena. Ventos calmos passeiam desenvoltos por frios lagos, e os afagos provenientes dos que realmente contam: surgem como gafanhotos desgovernados e me arrastam para Terras inimagináveis! As sensações boas são por mim veneradas, e, ao caminhar tranquilo por diferentes estradas, não meço esforços pra tentar me adequar a esse mundo de raridades.
Admiráveis passeios pela manhã fresca desse lindo dia e ultrapassando todas as fronteiras possíveis do impossível, me liberto das amarras cruéis que limitava o meu sonhar. Sigo livre por essas pequenas ruas e caminho como nunca antes sem vontade nenhuma de retornar. Aqui o sentido se faz presente, e a dor característica e natural jamais se sente. Anestesiado talvez por alguma substância desconhecida, mas feliz, como jamais poderia pressupor. Sou como um pássaro veloz que voa livre pelos ventos sem o peso da opressão. Vivo solto a muito custo, e aproveito dessa liberdade: cada fração.
Agora, nesse instante, viajo a uma velocidade inimaginável e invado um ambiente vívido em meu enigmático mundo. Músicas infantis rolam na vitrola bem ao fundo, e são inevitáveis o cair das lágrimas. Vozes e mais vozes... Nunca fui capaz de misturar-me a esse lindo contexto em tempos de ouro, mas nesses dias atuais transformo-me em ser tenaz e quebro essa horrenda barreira que tanto me sufocou! Há tanta luz aqui dentro e tantos rostos harmoniosos! Alguns nem são tão formosos, mas a essência de cada um me faz tão bem. Aqui, os defeitos são inexistentes e o orgulho: não vale um vintém!
segunda-feira, fevereiro 24, 2014
FIM - 01/02/2014
Encontro-me à sua frente, muito exausto por conta das inúmeras batalhas no qual fui sempre o perdedor. Estou infeliz, sem válvula de escape em quaisquer horizontes por onde os meus olhos cruzem. Estou trêmulo perante a figura estarrecedora que tu és! De maneira drástica, vou aguardando a chegada pontual das horrendas dores. Talvez, sobre as pétalas de diversas flores, deleitar-me-ei sem qualquer esforço nos sepulcros espalhados pelo meu quintal hostil. Num estado totalmente febril, sinto-a fria como gelo, e absolutamente segura de seus incisivos atos.
Flerta-me desde os meus primeiros minutos de vida. Invade os meus pensamentos com toda autonomia que lhe é de direito. Crava as unhas mortíferas em meu frágil peito, e vai traçando os caminhos incertos que devo prosseguir. A Senhora é realmente dona desse espaço indistinguível, e com a sua arma sangrenta e terrível; vai dilacerando as nossas vontades e impossibilitando os bons sonhos. De repente tudo se finda; e não mais temos aquela tarde harmoniosa e linda. Não há subterfúgio! Todos malfeitores podem nos ver sem nenhum tipo de camuflagem. Fomos obrigados a embarcar nessa ardilosa viagem, e não haverá mais volta.
terça-feira, setembro 17, 2013
ESTRADA DO AMANHÃ 19/07/2013
O antiquíssimo mundo gira em velocidade alucinante, e tudo torna-se tão imperceptível aos nossos arredores. Mas, não percebemos as mudanças, devido a olhos perdidos, que são incapazes de avistar tais acontecimentos. Afinal de contas, onde estou nesse exato momento? Certamente em uma Terra fria e monótona, isenta de cores vivas, e desprovida de alegria
e esperança.
Sepulto-me aos poucos. O inesperado acontece, pois gradativamente, vou avistando certas alterações em minha longa caminhada. Bem lá no alto, as alvas nuvens formam figuras mórbidas que me seguem por todos os cantos em que transito. Esqueço-me de viver a todo instante, abdicando veemente das possíveis maneiras de esbarrar com a distante e almejada
felicidade. Enfio-me em um longo túnel completamente escuro, cujo fim, não se é capaz de vislumbrar. Ando a velocidades alternadas, e sozinho, vou traçando a rota previsível do meu odioso destino.
Sou invariavelmente, um amontoado de insignificâncias, de percepções, de ideias concretas e bastante analisadas. Ser que viaja a todo vapor a galáxias longínquas, mas, que não consegue avançar um metro de onde permanece nesse instante. Os dias morrem tão precocemente, e as noites gélidas, sentem-se poderosas ao fazer com que tremam, corpos fadigados e absolutamente desprotegidos. Tudo flui de forma natural nesse complexo planeta. Tudo é tão previsível e enlouquecedor. As pessoas passam sempre em seus horários repetitivos, com as suas amedrontadas faces moldadas pelo tenebroso sistema.
Entre centenas e centenas de prisioneiros sem rumo, sem perspectiva... Caminho decidido, de nariz em riste, mas, totalmente desesperançoso, mesmo ciente de tudo isso que se move ao meu redor. Os meus olhos estão bem abertos, e assim, vou tateando as paredes dessa lastimável prisão. Sinto claramente, que trilho retas conturbadas, e curvas bastante sinuosas por todos esses anos cruéis.
Avisto todos os dias, milhares de pessoas indo em direção oposta à minha, mas, mesmo assim, sigo forte e convicto. Confesso, não vou negar em nenhum momento, que às vezes me dá uma vontade incontrolável de lançar as rédeas ao chão, e me entregar de corpo e alma a esse temível e ordinário monstro, que molda toda essa vida. Às vezes, ao me levantar bem cedo, o desânimo torna-se latente e irredutível em minhas entranhas. E de repente, ao olhar pela janela com o semblante desfigurado, vejo-me imerso a um oceano conturbado e aparentemente infinito. E passa-me à mente, a necessidade de me juntar a todos aqueles que navegam em seus diminutos barcos em plena escuridão. A todos aqueles que acreditam piamente em um belo e pomposo recanto, cercado por querubins e alegria plena. Mas esses pensamentos logo se desfazem, e percebo que ainda vivo, que as tempestades mais violentas, não foram capazes de destruir o meu acalentador casebre. Sigo firme atrás das respostas, não me aquieto perante os fatos. Sou ser pensante, e ainda possuo as rédeas de minha simplória carruagem. Assim sendo: eu dito as regras de minha conduta, e percorro firme sobre a estrada do amanhã...
e esperança.
Sepulto-me aos poucos. O inesperado acontece, pois gradativamente, vou avistando certas alterações em minha longa caminhada. Bem lá no alto, as alvas nuvens formam figuras mórbidas que me seguem por todos os cantos em que transito. Esqueço-me de viver a todo instante, abdicando veemente das possíveis maneiras de esbarrar com a distante e almejada
felicidade. Enfio-me em um longo túnel completamente escuro, cujo fim, não se é capaz de vislumbrar. Ando a velocidades alternadas, e sozinho, vou traçando a rota previsível do meu odioso destino.
Sou invariavelmente, um amontoado de insignificâncias, de percepções, de ideias concretas e bastante analisadas. Ser que viaja a todo vapor a galáxias longínquas, mas, que não consegue avançar um metro de onde permanece nesse instante. Os dias morrem tão precocemente, e as noites gélidas, sentem-se poderosas ao fazer com que tremam, corpos fadigados e absolutamente desprotegidos. Tudo flui de forma natural nesse complexo planeta. Tudo é tão previsível e enlouquecedor. As pessoas passam sempre em seus horários repetitivos, com as suas amedrontadas faces moldadas pelo tenebroso sistema.
Entre centenas e centenas de prisioneiros sem rumo, sem perspectiva... Caminho decidido, de nariz em riste, mas, totalmente desesperançoso, mesmo ciente de tudo isso que se move ao meu redor. Os meus olhos estão bem abertos, e assim, vou tateando as paredes dessa lastimável prisão. Sinto claramente, que trilho retas conturbadas, e curvas bastante sinuosas por todos esses anos cruéis.
Avisto todos os dias, milhares de pessoas indo em direção oposta à minha, mas, mesmo assim, sigo forte e convicto. Confesso, não vou negar em nenhum momento, que às vezes me dá uma vontade incontrolável de lançar as rédeas ao chão, e me entregar de corpo e alma a esse temível e ordinário monstro, que molda toda essa vida. Às vezes, ao me levantar bem cedo, o desânimo torna-se latente e irredutível em minhas entranhas. E de repente, ao olhar pela janela com o semblante desfigurado, vejo-me imerso a um oceano conturbado e aparentemente infinito. E passa-me à mente, a necessidade de me juntar a todos aqueles que navegam em seus diminutos barcos em plena escuridão. A todos aqueles que acreditam piamente em um belo e pomposo recanto, cercado por querubins e alegria plena. Mas esses pensamentos logo se desfazem, e percebo que ainda vivo, que as tempestades mais violentas, não foram capazes de destruir o meu acalentador casebre. Sigo firme atrás das respostas, não me aquieto perante os fatos. Sou ser pensante, e ainda possuo as rédeas de minha simplória carruagem. Assim sendo: eu dito as regras de minha conduta, e percorro firme sobre a estrada do amanhã...
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