segunda-feira, março 11, 2013

PORÃO (10/03/2013)


Os olhos depressivos daquela triste e agonizante menina,
ainda se encontravam próximos à esquecida janela
A chuva forte embaçava todos os antiquíssimos vidros
Mas, mesmo assim, eu avistava o mortal desespero dela,
em querer pronunciar algo notavelmente importante,
com breves sussurros serenos e incompreênsíveis.
Eu atravessei correndo a pequena rua parcialmente alagada,
com as pernas trêmulas, em semblante bastante assustado
Parei sobre uma calçada antiga e absurdamente imunda,
e senti com todas as forças, a intensidade do teu chamado
Via claramente, um pálido rosto cheio de amarguras,
e a morte surgindo no fim da longa rua, às gargalhadas insensíveis.

Os olhos depressivos daquela triste e agonizante menina,
atormentavam a minha alma com perguntas instigantes
Abri o portão em um impulso de pura coragem,
adentrando muito inquieto, em curtos passos vacilantes
A porta surgiu púrpurea e imponente, aniquilando as minhas respostas
Estava decidido a seguir o desfecho dessa louca aventura.
Com muitos pontapés, eu pus o objeto robusto ao chão
Deparei-me com uma sala tomada por dezenas de aranhas e traças
Sem desanimar, segui com firmesa entre os poeirentos e abandonados móveis
Vislumbrei incontáveis marcas, de pequenas mãos nas imensas vidraças
O temor entrou pelas minhas pulsantes veias, no exato momento,
em que avistei sentada à cadeira, a despeitada morte como uma insólita pintura.

Os olhos depressivos daquela triste e agonizante menina,
enterravam nas profundezas, o contentamento infinito em meu gélido rosto
Subi em galopes os degraus da longa e deslizante escada,
e no quarto avistei, um semblante absolutamente decomposto
Olhei fixamente em sua direção, e com muito receio me aproximei
Ela atravessou o meu corpo, e feito uma louca, para baixo se dirigiu.
Soltei um grito de desespero, mas fui correndo atrás de imediato
Com o coração batendo a mil, cheguei novamente à sala mórbida
Reparei que ao canto, havia uma porta do porão entre aberta
Agora com medo e precavido, caminhei trêmulo em uma agonia sórdida
Desci os poucos degraus em uma escuridão apavorante!
E quando olhei para cima: O olhar assassino da morte do vazio emergiu.

Os olhos depressivos daquela triste e agonizante menina,
clareavam todo o ambiente, os indefiníveis e dispersos vãos
De repente, todo o seu corpo foi mergulhando em uma parte do assoalho
E os meus olhos só conseguiam ver, o balançar das tuas transparentes mãos,
que me chamavam com movimentos insistentes e sincronizados,
por quase três longos minutos em que permaneci imerso à adrenalina.
Caminhei em passos lentíssimos, até chegar ao ponto onde ela sumiu
Com muita força, fui arrancando as partes mais frágeis da velha madeira
Depois de poucos minutos, avistei alguma coisa enrolada num cobertor marrom
Fui desenrolando com cuidado, e gritei atônito com os pequenos ossos que caíram à minha beira
Em seguida, senti um empurrão violento que me lançou feito pluma ao pequeno buraco no chão
E avistei: A morte com os olhos infernais, segurando nos braços uma risonha e linda menina.

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